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HackTalks 2020

“Ao projetar um produto, a inovação não deve ser uma meta, mas uma oportunidade, um convite”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 15min de leitura

Conversamos com Cyril Lance, CTO da lendária Moog Music, empresa que revolucionou o mundo da música com seus sintetizadores e continua inovando até hoje. Confira.

Cyril, conte um pouco sobre você e sobre a sua carreira.

Me inspiro na música desde criança. Sempre amei fazer música. No ensino médio, nos anos 70, consegui um trabalho de manutenção em equipamentos de áudio que, na época, eram antigos gravadores de rolo, cassetes, PAs. Isso me levou a fazer trabalhos em estúdios de gravação e a acompanhar artistas como músico. Naquela época, fazer emendas em fitas para edição era uma verdadeira forma de arte, e pessoas que sabiam fazer bem isso eram consideradas um trunfo.

A partir deste trabalho inicial, decidi seguir a carreira de engenheiro elétrico, a fim de combinar meu amor pela música com a tecnologia. Fui para a Universidade de Cornell, e depois do meu primeiro semestre lá, fiquei muito inspirado pelo estudo da física e comecei a estudar Física Aplicada e Engenharia. Isso me levou a 20 anos de carreira em física experimental projetando e implementando instrumentos em todo o mundo para estudar a atmosfera superior da Terra a partir do seu ambiente eletromagnético.

Meu desejo de trabalhar com física experimental estava muito enraizado em um desejo idealista de transformar o mundo em um lugar melhor através de uma compreensão mais profunda do ambiente natural em que vivemos. Meu trabalho era desenvolver ferramentas para o físico estudar a aurora boreal, um dos fenômenos naturais visuais mais bonitos que se pode testemunhar. Isso foi profundamente inspirador, não só pela beleza mágica, mas também por se tratar da visualização real das leis naturais da física. Diante dos olhos, era possível observar as leis da eletromagnética e da física quântica fluindo e dançando no céu noturno.

Ao mesmo tempo, continuei meu trabalho como músico profissional: tocando, gravando e produzindo. A conexão com a música também foi profundamente inspiradora. De maneira semelhante, senti que a música era uma manifestação dos princípios fundamentais da física, com vibrações mecânicas, eletricidade e magnetismo, para tocar as pessoas no nível mais profundo.

Em retrospecto, era inevitável que esses dois mundos unissem forças!

Como você começou na Moog? Como tudo aconteceu?

No início de 2005, conversei com um amigo da minha família, que havia se mudado recentemente para Asheville, no estado da North Carolina (EUA), e ele mencionou que lá, se reunia toda segunda de noite com algumas pessoas muito interessantes, e que uma delas fazia sintetizadores para o mundo todo. Perguntei a ele quem era, e ele disse: “Bob Moog”. Eu não fazia ideia!

Entrei em contato com Bob, contei um pouco sobre mim e avisei que estava disponível para um trabalho de meio período se ele precisasse. Reunimos e nos conhecemos na Moog Music, que ainda era um espaço minúsculo às margens do French Broad River, rio que corta a cidade. Conversamos por cerca de duas horas e, no final, Bob me disse que realmente precisava de um engenheiro para ajudá-lo, pois naquele momento, ele era o único engenheiro na empresa. Embora eu não tivesse experiência direta com design de instrumentos eletrônicos, meu trabalho em física tinha muita semelhança e acho que nos conectamos nesse nível, Afinal, Bob também era físico de formação. Saí de lá com a promessa de que manteríamos contato.

Infelizmente, alguns meses depois, Bob foi diagnosticado com um tumor cerebral muito agressivo. Nesse momento, eles me pediram para ajudar. Eu apareci lá às 8 horas da manhã do dia seguinte ao telefonema, e na hora do almoço já estava totalmente imerso na engenharia da empresa.

Minha esperança era de que Bob me orientasse e encontrássemos regularmente, mas infelizmente ele adoeceu tão rapidamente que só tivemos algumas conversas. Foi uma entrada bastante dramática no mundo da Moog. Mas foi uma jornada incrível naquele tempo em que a empresa era muito humilde em relação ao que é hoje. Sinto-me extremamente sortudo por fazer parte da história da Moog. É uma honra e uma enorme responsabilidade, junto aos meus colegas e à comunidade da marca, continuar esse legado.

A Moog é uma das empresas mais inovadoras do mundo da música, há muito tempo. O que é exatamente o que a empresa faz? E como tudo isso começou?

A história do Bob Moog é realmente interessante e espero inspirar não apenas os músicos, mas a comunidade em geral: é uma história sobre inovação, colaboração, abertura, humildade e bom humor. Quando adolescente, Bob leu um artigo sobre como construir um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos inventados por um homem chamado Lev Theremin, um cientista russo que aplicou seu conhecimento científico ao seu amor pela música durante um período de grandes mudanças tecnológicas no início do século XX. O instrumento de Lev, o Theremin, era algo único, em que você tocava sem colocar as mãos, mas movendo o seu corpo para impactar os campos elétricos emitidos pelas antenas – em essência, seu corpo se tornava parte do circuito na forma de um capacitor variável.

A partir daí, Bob começou a construir kits com seu pai na escola, e depois começou a vender kits e peças. Bob estudou Engenharia Elétrica na faculdade e, em seguida, Engenharia Física (também na Cornell). Durante todo esse tempo, continuou trabalhando com seu instrumento musical para complementar sua renda. A comunidade da música experimental floresceu após o final da Segunda Guerra Mundial, criando um ambiente propício para a invenção e para a exploração das tecnologias de mudança radical da época.

Bob, então, começou a colaborar com artistas (principalmente Herb Deutsch) para criar alguns dos primeiros sintetizadores modulares controlados por tensão. Esta foi a gênese dos modernos Moog Music. Os sintetizadores modulares de Bob se tornaram catalisadores para as comunidades de artistas eletrônicos nas décadas de 60 e 70 e passaram para a música popular a partir do sintetizador Model-D, o primeiro controlado por tensão em um tamanho pequeno e acessível. O Model-D mudou a forma como muitos tecladistas da época viam a síntese e a música eletrônica.

O Model-D, da Moog Music

Bob foi um dos principais inventores da época. Utilizando novas tecnologias e colaborando com artistas, ele criou instrumentos que permitiam criar sonoridades totalmente novas. Esse foi o começo da indústria de instrumentos eletrônicos que hoje temos como algo normal.

Atualmente, continuamos o trabalho da mesma maneira que Bob começou: prestando muita atenção ao que os artistas precisam, muito atentos ao ofício de criar instrumentos musicais construídos para inspirar a vida inteira, fazendo tudo em nossa fábrica em Asheville, adotando os princípios fundamentais com os quais Bob começou, aplicando-os nas tecnologias e paradigmas atuais do fluxo de trabalho e, na mesma importância, tentando levar adiante alguns dos principais valores de Bob: amor e respeito por todos, humildade, bom humor e abertura ao processo criativo.

Qual foi o impacto da empresa no mundo da música ao longo de todos esses anos? Como a Moog fez história?

O impacto de Bob Moog foi enorme. Seus instrumentos iniciais foram alguns dos primeiros que se tornaram comercialmente viáveis ​​e reconhecidos, e foram adotados por algumas das principais influências criativas dos anos 60 e 70. Além disso, a personalidade de Bob inspirou as pessoas a quererem se envolver e explorar as ferramentas que ele estava construindo.

Existem duas coisas que realmente se destacam: o som dos instrumentos de Bob começou com seus icônicos osciladores e com o patenteado Ladder Filter (1968), que criou uma tonalidade rica e orgânica e inspirou uma geração de músicos e designers de som. Essa sonoridade continua até hoje nos nossos projetos.

A segunda é a sua abordagem em relação ao controle de circuitos, que envolvia o conceito de “tensões de controle”. Esse não foi um conceito que ele inventou. Era uma ideia difundida (Harold Bode foi uma grande inspiração) que Bob aplicou de uma forma que se tornou muito intuitiva para os artistas acessarem uma sonoridade ilimitada e permitiu que eles criassem seus sons com base em suas imaginações e visões. Isso levou a instrumentos com os quais os artistas desenvolveram um relacionamento ao longo da vida.

Os instrumentos Moog se tornaram a espinha dorsal da sonoridade dos últimos 60 anos, desde o início da música eletrônica experimental como Herb Deutsch, ao fenômeno clássico Wendy Carlos (Switched On Bach), aos ícones pop como Stevie Wonder, Beatles, artistas como Bernie Worrell, e até mesmo aos ícones do rock progressivo como Keith Emerson e Rush. A lista é interminável e continua até hoje.

Sobre o desenvolvimento da empresa, quais foram as mudanças mais visíveis na Moog desde sua entrada, não apenas em relação à filosofia da empresa e marca mas também na construção de produtos?

São perguntas difíceis de responder em poucas palavras, mas vou tentar. Acho que o mais óbvio é que, quando entrei em 2005, o sintetizador analógico e os produtos analógicos impressionavam muito menos do que as tecnologias digitais que dominavam a indústria da música, principalmente em estúdios e apresentações ao vivo. A Moog Music era pequena, tinha menos de 20 pessoas, e Bob era o engenheiro. Não era claro para onde o mercado estava indo nem como seria o futuro da Moog Music.

Nos últimos 15 anos, vimos um enorme ressurgimento de interesse e entusiasmo em relação a tecnologia analógica para a criação de música. Acho que houve uma redescoberta da sonoridade que havia sido perdida no mundo digital, assim como das possibilidades criativas e do relacionamento com nossos instrumentos.

Fisicamente, a empresa cresceu de 20 pessoas para cerca de 150, atualmente. Mudamos duas vezes de local e agora temos nosso próprio conjuntos de edifícios no centro de Asheville. Outro ponto significativo é que estamos para nos tornar uma empresa de propriedade dos funcionários. Como resultado dessa cultura florescente, agora temos uma equipe incrível de mais de 20 engenheiros, fantásticas equipes de produção, times de marketing, equipes de vendas e de relações com artistas. E não é algo apenas interno. A comunidade global que usa nossos produtos compartilha suas ideias conosco e, mais importante, compartilha suas visões criativas com uma comunidade maior que vem crescendo exponencialmente. Hoje, a criatividade, a vitalidade e a inovação são verdadeiramente inspiradoras para todos nós da Moog. A empresa não seria o que é hoje sem essa comunidade maior e sem o relacionamento próximo que temos com nossos artistas.

Filosoficamente, não acho que desviamos muito das nossas raízes, das nossas visões e inspirações principais: criar ferramentas maravilhosas para artistas que inspiram criatividade por uma vida inteira, fornecer ferramentas que desbloqueiem a criatividade única de cada artista, nos esforçarmos para obter a melhor qualidade de instrumentos, e permanecermos abertos e acessíveis a todos os que tem curiosidade e empolgação para explorar as coisas.

Tecnicamente, não ficamos estáticos. Estamos sempre buscando aumentar nossa precisão técnica para que possamos fornecer ferramentas que não apenas tenham as mesmas qualidades fundamentais pelas quais Bob se esforçou, mas que também sejam relevantes para o ambiente atual. Temos ramificações em software, combinando excelentes circuitos analógicos com tecnologias e recursos digitais com sonoridade apropriada. E continuamos olhando para frente.

Como a empresa lida com inovação? Como a Moog continua tendo novas idéias que se transformam em produtos de sucesso?

Inovação é uma coisa interessante. Acho que nem sempre é intencional. Às vezes a inovação surge de uma ideia que se desenvolve em algo novo e diferente. Às vezes, vem de uma nova tecnologia que apresenta novas formas de se fazer algo. Às vezes, pode vir de uma visão artística e acaba encontrando uma forma de alcançar essa visão.

Uma coisa que aprendi nos últimos 15 anos: não faltam novas idéias! Sinto que estamos apenas começando a explorar algumas das idéias básicas que foram iniciadas há 60 anos. Ideias vêm de todos os lugares. Somos abençoados por ter uma empresa cheia de pessoas criativas e imaginativas com uma enorme variedade de conhecimentos. Também somos abençoados por contarmos com uma comunidade artística e profissional que se preenche com novas idéias. E, é importante prestar atenção e ouvir. Como as pessoas estão usando os instrumentos que fabricamos? O quanto as pessoas estão fazendo e ouvindo música hoje em dia? O que está acontecendo na cultura hoje que exige uma nova maneira de interagir com ferramentas criativas?

Portanto, estar aberto e ouvir sempre é provavelmente a maneira mais importante de se “lidar com a inovação”, na minha opinião.

As ideias se tornam produtos por vários motivos. Pode haver uma proposta atraente ou a necessidade comercial por um novo produto. Às vezes, alguém surge com uma nova idéia que cria novas possibilidades. Ou então, uma nova tecnologia cria novas oportunidades para produtos.

O processo que gera um produto é extremamente colaborativo e exige uma grande quantidade de debates exploratórios, brainstorming, reunião de idéias e restrições em relação a levar um produto físico ao mercado: Quanto custará fabricar? As pessoas vão querer comprá-lo por esse preço? De quais recursos ele precisa? Que outros recursos seriam legais? Quanto tempo é preciso para projetar? Como será? Que materiais vamos usar? Como vamos fazer isso? Como vamos garantir que ele atenda aos nossos padrões de qualidade? E assim por diante.

Como você equilibra as questões técnicas em relação às de negócios / marca como critério para o desenvolvimento de produtos?

Minha opinião pessoal é que, ao projetar um produto, a inovação não deve ser uma meta, mas uma oportunidade, um convite. Não é necessário que tudo o que desenvolvemos seja “inovador”, “novo e diferente”. No entanto, acho que somos todos inspirados a explorar novas idéias para crescer continuamente, aprender e achar novas maneiras de permitir que as pessoas interajam com a tecnologia para produzir sons.

Minha esperança é que a Moog Music crie ferramentas musicais maravilhosas inspiradas pelos artistas e crie músicas para tornar o mundo um lugar melhor, para ajudar os seres humanos a se comunicarem em um nível mais profundo e fundamental. Isso não requer inovação, mas é um convite a ela. Às vezes, uma ideia é lindamente simples e não exige nenhuma inovação, mas gera uma ótima ferramenta musical. Por outro lado, uma abordagem pode ser interessante, nova e inovadora, mas talvez ainda não seja uma boa ferramenta para músicos. E como você sugere, nós realmente podemos ter idéias muito criativas e inovadoras, mas que ainda não sejam uma inovação com oportunidade comercial.

Portanto, o critério final para os produtos é multifacetado. É um ato de equilíbrio cuidadoso entre todos os requisitos, muitas vezes em aspectos concorrentes no processo de desenvolvimento. Geralmente, tudo começa com os requisitos trazidos pela equipe comercial à partir do que os artistas estão perguntando, do que está acontecendo no nosso setor, de quais são as áreas em que ainda não atendemos à nossa comunidade de artistas: em quais campos poderíamos oferecer melhores soluções? Por fim, isso é canalizado através de um processo de negócios.

Muitas vezes, também criamos algo novo, divertido, inspirador e oferecemos à comunidade geral e vemos o que acontece. Isso costuma ser um processo divertido para descobrir o que os artistas fazem com nossos produtos. Um exemplo disso é o aplicativo Animoog para iOS: foi nossa primeira incursão em síntese digital e nosso primeiro sintetizador desenvolvido para o ambiente Apple iPad. Tudo começou como divertidas experiências no laboratório e uma visão de como poderíamos criar algo novo e diferente que aproveitasse a experiência única criada pelo iPad e que seja capaz de realmente expressar um instrumento musical dessa forma. O Animoog foi um enorme sucesso e nos trouxe toda uma nova comunidade de artistas e muitas idéias criativas. Esse é um exemplo de projeto que não começou como um empreendimento comercial, mas nos trouxe uma oportunidade de inovar e explorar novidades.

Do que você mais gosta no seu trabalho?

Eu diria que são as pessoas com quem trabalho e os relacionamentos profundos e as inspirações compartilhadas. Isso inclui não apenas os incríveis colegas que incorporam a Moog Music, mas a comunidade em todo o mundo: artistas, produtores, revendedores, distribuidores, escritores, participantes de festivais, engenheiros, inventores.

Todo relacionamento é um momento compartilhado de conexão e uma oportunidade de aprofundar nossa compreensão global mútua – essa é a magia da música. É uma forma de nos conectarmos todos nesse nível primordial onde as diferenças superficiais não existem mais. Essa é a paixão compartilhada, o bom humor compartilhado, o senso da história compartilhada, e a antiga tradição de se comunicar através da música, e também de criar ferramentas musicais.

Mesmo depois de tantos anos, ainda me sinto um iniciante. Toda conversa é uma oportunidade para aprender, crescer e explorar novas idéias.

A comunidade da música eletrônica é incrível: é tremendamente diversificada, há um senso real de experiência compartilhada e uma profunda missão. Em uma época em que a ciência tende a ser culturalmente descartada mesmo sendo tão crucial para nossa sobrevivência e evolução global, é uma alegria fazer parte de uma comunidade profundamente envolvida no nexo entre a tecnologia e o espírito humano.

Em um nível mais prático, há sempre um momento em que um novo circuito ou instrumento é criado, onde ele “ganha vida” – é um momento lindo. É a primeira experiência da personalidade e do potencial de um novo instrumento. E indo mais fundo como engenheiro, há uma enorme satisfação na estética do design: projetar um circuito que seja elegante, simples e que funcione!

Por fim, voltando às minhas raízes da física, há uma alegria contínua em experimentar as leis fundamentais da física incorporadas através de um circuito eletrônico que transforma essas leis na capacidade de se comunicar através do som. É sempre emocionante e inspirador.

Estamos passando por tempos difíceis com a pandemia do covid-19. Como isso tem impactado os negócios da Moog? E o que vocês tem feito para superar tudo isso?

Primeiro, digo que meu coração está com todo mundo que agora sofre com a pandemia do covid. As pessoas foram afetadas em tantos níveis: saúde, isolamento, perda de meios de subsistência, segurança e conexão humana. Para muitos, tem sido devastador e acho que, na verdade, todos nós estamos sendo profundamente afetados por tudo isso.

As pessoas da Moog tem buscado soluções para manter viável a nossa missão principal: isso significou garantir que todos os nossos funcionários-proprietários tivessem um ambiente de trabalho seguro e estável, que ainda poderíamos produzir e enviar instrumentos musicais para todo o mundo e que, por meio do nosso trabalho, talvez pudéssemos tornar a vida das pessoas um pouco melhor ao ajudá-las a lidar com as enormes mudanças forçadas pela epidemia.

A Moog transferiu parte de sua capacidade de produção à fabricação de equipamentos de proteção individual (EPI) para uso da comunidade médica, tipo de produto que estava em falta nos EUA. Além disso, treinamos nosso time de serviço ao cliente para fazer ventiladores hospitalares e ajudar a aliviar algumas das carências críticas que os hospitais estavam enfrentando.

Acho que uma bênção nestes tempos difíceis é que pessoas isoladas fisicamente se conectaram mais com a música como uma forma de lidar com seu próprio isolamento, e também de ter contato com suas famílias e comunidades em todo o planeta.

A Moog tentou apoiar isso de todas as maneiras possíveis. Em março, criamos nosso aplicativo para iOS, o Model-D, gratuito para qualquer pessoa baixá-lo, ajudando centenas de milhares de pessoas a experimentar a beleza e a alegria de explorar esse sintetizador icônico nos seus celulares e iPads. É através de pequenos atos como este que nós esperamos estar a serviço das pessoas à medida que avançamos nesses tempos desafiadores.

A Moog tem mais do que clientes: está na categoria de marca que possui fãs. Na sua opinião, o que faz a Moog ser tão única e especial?

Bem, espero que algumas das minhas respostas até agora tenham ajudado a esclarecer isso. Eu acho que a resposta é, acima de tudo, crédito do Bob Moog. Sua genialidade, sua humildade e sua abertura lhe permitiram criar um novo mundo de experiência para as pessoas serem criativas. O legado de Bob está em tudo o que fazemos, e nós trabalhamos duro todos os dias para homenagear o seu legado.

Isso não se traduz apenas na forma como projetamos e produzimos instrumentos, mas na forma como vendemos nossos instrumentos, na forma como tentamos educar, inspirar,  e conectar-nos de forma significativa com nossos clientes, sejam eles artistas, revendedores, distribuidores, curiosos. Adoramos compartilhar a alegria e a inspiração do nosso trabalho com outras pessoas e desenvolvemos relacionamentos incríveis e duradouros que acabam retribuindo à Moog, tanto quanto é dado. Acho que é esse relacionamento mútuo é o que faz da Moog um ambiente único e especial. É algo muito maior que a empresa, muito maior que os indivíduos que trabalham aqui, muito maior do que a comunidade musical por si só.

Somos abençoados por poder criar produtos que trazem alegria às pessoas, que inspiram, que possibilitam uma criatividade que convida as pessoas a encontrarem sua própria voz, e que conectam pessoas através do tempo e do espaço. Gostamos de compartilhar isso! E nos divertimos muito ao longo do caminho.

A Moog também faz parte de uma comunidade maior de fabricantes de instrumentos – temos muita sorte de compartilhar esta missão com um grupo em rápido crescimento de designers de instrumentos, inventores, criadores. Por fim, acredito que a Moog representa uma longa tradição de olhar para trás e para a frente ao mesmo tempo – de volta a Bob Moog e colegas do seu tempo, como Don Buchla, Harold Bode, e a inventores como Lev Theremin, Leo Fender, Laurens Hammond, à invenção do piano, dos instrumentos de sopro, ao cravo, aos violinos, aos instrumentos de percussão e, no fim das contas, de volta à raiz fundamental: a voz humana. E esse é um caminho muito divertido de percorrer!

Quais são os planos para o futuro? Há algo no radar do Moog que você possa nos adiantar?

Tem bastante coisa. Temos listas e listas de coisas que queremos trabalhar. Eu diria que a Moog vai continuar explorando tanto as tecnologias legadas, como também tentar ir além dos limites com novas tecnologias e ecossistemas que as conectam com a nossa visão de instrumentos musicais.

O Moog ONE, lançado recentemente, é um bom exemplo disso: no seu cerne estão dezenas de milhares de componentes eletrônicos analógicos. No entanto, ele combina essas abordagens analógicas fundamentais com novas maneiras de interagir fisicamente, com novas formas de incorporar síntese digital e interagir com o complexo fluxo de trabalho digital que existe hoje.

A Moog vai continuar explorando todas essas direções: os produtos analógicos inspirados em legados, como nosso recém lançado Subharmonicon, inspirado em conceitos musicais emocionantes do século XX, continuando a explorar a relação entre o mundo em rápida evolução do software e como isso se expressa na nossa linguagem Moog, e procurando novas oportunidades, novas idéias, novas maneiras de interagir fisicamente com instrumentos, da mesma forma que Lev Theremin no início de 1900 levou novos tubos de válvulas de vidro para criar oscilações eletromagnéticas e vislumbrou um instrumento que interagia com o movimento do corpo.

Acho que há outro aspecto da evolução da Moog com o qual eu vou finalizar. Nos últimos 15 anos, crescemos de menos de 20 pessoas para cerca de 150 pessoas. Passamos de produzir uma quantidade pequena de produtos para uma quantidade bem maior. Crescemos uma organização que agora tem pessoas do mundo todo. Os funcionários da Moog agora são proprietários da empresa. Somos uma comunidade muito tangível.

Portanto, a Moog tem o desafio de crescer, de fazer melhor em todos os aspectos da nossa organização: a forma como nos conectamos com a comunidade, como construímos nossos produtos, como enviamos nossos produtos, como trabalhamos com grupos maiores para visualizar novos produtos, como trabalhamos com artistas, como educamos e alcançamos nossa comunidade e, o mais importante, como continuamos abertos, inspirados e como continuamos oferecendo mais oportunidades para as pessoas se conectarem e aprenderem umas com as outras.

Talvez essa não seja uma resposta concreta! Mas acredito que é a resposta mais importante que posso deixar aqui.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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1 Comentario

  1. William aires

    5 de julho de 2020 at 11:08

    Criei este equipanto virtual sensacional, durante o confinamento ,devido a pandemia.
    Qual a sua nota para o invento. Aperte no libk e confira .
    https://youtu.be/CY4Py-cCwgU

    Responder

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