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HackTalks 2020

Como 10 empresas estão se reinventando para enfrentar a crise do covid-19

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 7min de leitura

Experiências nos mais diversos segmentos, em empresas de portes distintos, em vários lugares do mundo, podem ser inspiração para você iniciar a reinvenção do seu negócio ou da empresa onde trabalha.

A chegada do covid-19 teve um impacto devastador no mundo dos negócios. Ao forçar uma mudança radical nos hábitos do consumidor, principalmente com a questão do distanciamento social e do isolamento, os modelos de negócios e as formas de atuar da maioria das empresas deixaram de fazer sentido. Com isso, elas só tem uma saída: reinventar-se. Não é fácil, mas é totalmente possível.

Experiências de todo tipo vem sendo realizadas mundo afora, nos mais diversos segmentos, em empresas dos portes mais distintos. Algumas foram proativas, outras reagiram a um possível colapso. No fim das contas, o que importa é que essas ações podem funcionar como inspiração para muitas outras empresas. É um momento de experimentação, sem fórmulas prontas. Portanto, mapeamos alguns desses exemplos para te ajudar a ter boas ideias nesse sentido. Vamos lá:

1 – GetNinjas

A startup brasileira GetNinjas, que conecta consumidores a profissionais autônomos como encanadores, eletricistas e marceneiros, passou por tempos difíceis em função do covid-19. Demitiu, inclusive, cerca de 10% dos seus funcionários (antes da crise, a empresa tinha 110 pessoas), e precisou se reinventar. 

Na impossibilidade desse tipo de profissional ter uma presença física nas casas de quem tem alguma necessidade de reparo, mas também sabendo que a necessidade por tais reparos vai até se intensificar com as pessoas trabalhando em casa, a empresa acaba de lançar o Ninja Remoto, uma plataforma para que seus parceiros possam prestar orientação à distância, por videochamada, para consertos simples dentro de casa.

O funcionamento é simples. Após o cliente selecionar o serviço que deseja, a empresa conecta esse cliente a um profissional e faz o repasse dos contatos para que a combinação entre as partes seja feita via WhatsApp, incluindo, o pagamento.

Além de ajudar a GetNinjas a se reerguer, a iniciativa possibilita que os 1,5 milhões de profissionais cadastrados no aplicativo possam continuar seus trabalhos na quarentena.

2 – Café Hotel Expresso Bar

Prestes a inaugurar uma ampla estrutura na região do baixo Pinheiros, em São Paulo, onde agregaria torrefação de grãos, bistrô e um balcão de drinques, a empresa foi pega de surpresa pela crise do covid justamente na semana em que abriria suas portas ao público. O Café Hotel Expresso Bar, que levou um ano para ser elaborado, e tinha um plano estratégico bem consistente e um cronograma bem desenhado, quase foi por água abaixo. E os sócios não tiveram outra opção, a não ser se a de reinventar o negócio.

Diante disso, a empresa começou a testar um delivery de cafés, com entregas feitas pelos próprios sócios em uma scooter.  A ação deu tão certo, que eles decidiram ampliar para um delivery de almoço, com pratos feitos pela chef Juliana Dabbur. Entusiasmados pelo sucesso de ambas as iniciativas, a empresa deu outro salto, e criou um “brunch box” para atender clientes em suas casas nos finais de semana.

A caixa, que tem um charmoso design, é trabalhada em três categorias: a Easy, com pão levain, avocado, pudim de chia e granola; a super Brunch com cerca de 20 itens, como salmão defumado, ovos mexidos e mini pães de queijo; e a Vegan, com homus, cogumelos selvagens e panquecas de banana. Atualmente, a média de venda é de 150 boxes por fim de semana.

Essas novas experiências do Café Hotel Expresso Bar não só vem gerando receita para a empresa sobreviver à crise, mas também vem consolidando a marca, ajudando a construir uma base de clientes para quando o espaço inaugurar efetivamente e, para o pós-covid, já estará bem preparada na questão do delivery.

3 – AirBnB

O fundador do AirBnB, Brian Chesky, veio a público esta semana, e disse que o golpe devastador da pandemia no turismo colocou a empresa, que é uma das mais valiosas do mundo, diante do maior desafio da sua história. A crise da covid-19 impactou drasticamente o Airbnb no início de março, quando o turismo ficou paralisado em meio às quarentenas ao redor do mundo. E isso fez com que a empresa tivesse que reduzir drasticamente seus custos com a demissão de 1,9 mil pessoas ( 25% dos seus empregados), além da eliminação de gastos com marketing, entre outras ações.

Em matéria outra matéria recente, Joe Gebbia, cofundador e Chief Product Officer no AirBnB, contou que, para superar essa crise, a empresa vem investindo forte experiências online, coisa que ele nunca teria imaginado como possível se não fosse a pandemia. Ele dá, como exemplo, um host que o AirBnb tem em Portugal que passou a oferecer aulas online de preparação de sangria, bebida muito popular no país, e já levantou mais de 100 mil dólares nos dois primeiros meses. Outro exemplo é de um monge budista do Japão que passou a oferecer cursos de meditação por cerca de 30 dólares. Assim, essa direção passou a ser o foco da empresa. 

Outra linha de ação que começa a ser trabalhada pelo AirBnB é o aluguel de espaços para que as pessoas possam fazer trabalho remoto fora de casa mantendo o distanciamento e a higienização necessários. É algo que vale tanto para a quarentena como também para o que vem posteriormente ao covid, quando a tendência é de seguir modelos híbridos de trabalho que misturem escritórios físicos e trabalho remoto, e até mesmo de empresas totalmente sem escritórios.

4 – Pathfindr

A empresa britânica de tecnologia Pathfindr desenvolve e fabrica produtos para o monitoramento de bens industriais e logística. Diante da queda global na produção industrial em função da crise do covid, o negócio da empresa se viu completamente comprometido. Foi quando veio a ideia que gerou um salto bem interessante para os negócios da Pathfindr: utilizar a base do que já faziam, uma tecnologia chamada Beacon, para ajudar as pessoas, principalmente nos ambientes de trabalho, a ser manterem na distância certa uma das outras.

Beacon, aliás, é um pequeno dispositivo que utiliza uma tecnologia chamada Bluetooth Low Energy (BLE) para emitir um sinal intermitente de ondas de rádio que consegue localizar outros dispositivos com Bluetooth, como um smartphone, por exemplo, em um determinado raio. Com este novo produto, quando duas pessoas se aproximam mais do que é considerado seguro (geralmente 2 metros de distância), o dispositivo faz um barulho e lembra os usuários de se afastarem.

A novidade, chamada de Safe Distancing Assistant For healthy workplaces, traz ótimas possibilidades, e as previsões de recuperação da Pathfindr são bem otimistas.

5 – Andrew St. James

O músico californiano Andrew St. James tinha grandes planos para 2020. Além de sua carreira solo, que depende muito de shows ao vivo, ele também estava prestes a lançar uma marca de festas que o ajudariam a impulsionar não só a sua própria carreira mas também a de outros músicos da região de San Francisco, onde vive. Com a chegada do covid-19, todo seu plano teve que ser colocado em standby. Aliás, o mercado da música independente é, de longe, um dos mais afetados pela crise.

Com os serviços essenciais se mantendo abertos, o músico observou que havia um fluxo de pessoas nesses locais, obviamente tomando os cuidados necessários, e com a reabertura de alguns comércios, isso se intensificou um pouco mais. Além disso, ele viu que a tensão e o medo estavam muito presentes. Todo esse cenário lhe rendeu a ideia de que tocar na rua para alegrar essas pessoas poderia ser uma tremenda oportunidade. Foi quando ele montou um formato acústico e iniciou uma “turnê” pelas ruas da cidade.

Em maio, St. James e seu guitarrista, Scott Padden, fizeram uma série de shows gratuitos na traseira de uma caminhonete, sempre em frente a locais que tinham um fluxo maior de pessoas. A partir daí, tiveram também a ideia de tocar em vizinhanças, de forma que os moradores pudessem assisti-los das suas janelas. Também deu certo.

Hoje, mesmo com uma receita aquém do que tinha antes, St. James tem conseguido novos fãs. Essa fato tem impulsionado não só o número de ouvintes das suas músicas nos serviços de streaming, mas também possibilitado as gorjetas durante os shows, a venda produtos de merchandising online e a obtenção de novos interessados em contribuir no seu Patreon, serviço que possibilita que fãs façam pagamentos mensais a artistas em troca de itens e conteúdo exclusivos.

6 – Sego Firm

A Sego Firm é uma empresa colombiana que desenvolve e faz a gestão de experiências de entretenimento ao vivo, com eventos e festivais, além de gerenciar bares e discotecas em Bogotá. Consciente de que a reabertura do mercado para o tipo de negócio que oferece deve demorar muito, Sebastián González, fundador da empresa, resolveu, no final de março, começar a criar festas pela ferramenta de videoconferência Zoom. As iniciais foram gratuitas, tiveram uma forte campanha em redes sociais como Facebook e Instagram, e atraíram inicialmente cerca de 500 pessoas para cada evento.

A ação deu tão certo que passou a atrair também participantes de países como Estados Unidos e Alemanha, e os eventos se tornaram globais. Hoje, cada festa tem um ingresso a 5 dólares para homens, e mulheres entram sem pagar, como é de costume no país. A opção tem sido muito bem avaliada pelos clientes, não só pelas apresentações dos DJs, mas por proporcionar que se faça novos amigos e por incentivar a troca de número de WhatsApp entre aqueles que batem papo por lá. 

Hoje, as festas online, que tem um custo muito reduzido em relação ao formato tradicional, também são patrocinadas por marcas de bebida, que começaram a encarar tais acontecimentos como forma de promover seus produtos. Hoje, mesmo longe de sua faixa de receita pré-covid, a Sego Firm vem sendo capaz de sobreviver e segue mais otimista na sua recuperação.

7 – AltF Coworking

O mercado de espaços de coworking foi muito afetado pelo pandemia do covid. Com as pessoas trabalhando em casa, existem dois grandes desafios a quem gere esse tipo de negócio: cancelamento de mensalidades e a dificuldade de obter novos clientes, mesmo investindo em questões de segurança e higiene para adaptar-se às necessidades do momento. No AltF Coworking em Gurugram, na Índia, não foi diferente. Uma vez que a quarentena foi anunciada, sumiu todo mundo, inclusive os freelancers que trabalham de lá.

No entanto, a empresa rapidamente entendeu que um dos grandes desafios tanto de freelancers quanto de empresas em estágio inicial era o de adequar um setup funcional e seguro para home office. A resposta foi a criação de pacotes para trabalho em casa, que oferecem desde mobiliário, como cadeiras ergonômicas e moveis apropriados, até mesmo suporte e estruturação de TI, como manutenção e help desk, como também serviços como criação de VPN apropriada, segurança da informação, entre outros.

Com o sucesso dessa primeira fase, o AltF Coworking foi além e adicionou novos serviços aos pacotes. Passou também a oferecer aos associados serviços como seguro saúde, além de assinaturas premium de serviços como Zoom, Google G Suite, etc. Em seguida, começou a oferecer conteúdo, com workshops online em temas que vão de técnicas de massagem a dicas de culinária.

Dessa forma, o o AltF Coworking vem conseguindo superar seus desafios, e as perspectivas para o futuro são bem interessantes.

8 – Tinder

Na impossibilidade das pessoas se encontrarem pessoalmente e ciente de que as novas gerações valorizam as relações virtuais de forma equivalente ou até mesmo mais intensa do que as presenciais, o app de relacionamento Tinder começou a testar com alguns dos seus usuários um novo recurso que elimina o filtro de localização geográfica e permite que as pessoas encontrem relacionamentos em qualquer lugar do mundo. 

Chamada de Modo Global, a função mostra perfis de outras cidades, estados e até países para dar match, independentemente da distância onde estão tais perfis. A novidade vai exibir pessoas aleatórias de qualquer lugar do mundo, sem a possibilidade de escolha.

No entanto, a versão gratuita do app mostra apenas pessoas em a um raio de até 160 km de distância do usuário. Já o pago permite visualizar os perfis de estrangeiros da mesma maneira que os mais próximos. 

Caso a função seja aprovada, deverá ser lançada oficialmente para 100% dos usuários do app em breve

9 – Zelos

O Zelos é um aplicativo que credencia e faz a gestão de voluntários e freelancers para eventos e festivais. Com a parada desse mercado, viu seu negócio extremamente ameaçado. No entanto, a empresa, sediada na Estônia, foi rápida. Assim que o vírus atingiu o leste europeu, ela integrou seu sistema ao Trello e, em 48 horas, criou um serviço para beneficiar idosos.

Funciona asim. Os idosos ligam para um número telefônico, já que não costumam ter familiaridade com apps, e os atendentes usam o Trello para enviar as informações aos voluntários, que recebem tudo pelo aplicativo. Em 24 horas, o Zelos já havia credenciado mais de mil voluntários. Em dois dias, já estavam ajudando os idosos a fazer suas compras. O desafio agora é escalar esse serviço para além da Estônia.

Com a ação, além de ajudar a população com um serviço de utilidade pública, a marca tem se tornado conhecida país afora, vem recebendo doações que estão a mantendo viva durante a crise e, com tudo isso, estão ampliando em muito sua base de usuários, o que será de enorme benefício quando seu mercado de origem começar a retomada.

10 – Magazine Luiza

O Magazine Luiza lançou recentemente uma plataforma digital chamada Parceiro Magalu. A iniciativa auxilia micro e pequenos varejistas e profissionais autônomos a manter seus negócios vivos durante o período da pandemia do covid. Segundo a empresa, o Brasil tem cerca de 5 milhões de empresas varejistas, a maior parte delas com faturamento de até 5 milhões de reais ao ano. No entanto, apenas cerca de 50 mil atuam no comércio digital.

O funcionamento é simples. São duas plataformas, uma para empresas menores e outra para pessoas físicas. No caso de pessoa jurídica, os comércios podem oferecer estoques de produtos no site, no aplicativo e futuramente em lojas físicas do Magazine Luiza. A entrega é feita pelos Correios, sem custos para o vendedor. E a cada venda concretizada, o parceiro deve pagar, até o fim de julho, uma taxa de 3,99%. Já no caso de pessoas físicas, que inclui trabalhadores informais e autônomos, os produtos podem ser vendidos por meio de redes sociais individuais, e cada venda receberá uma comissão que pode variar entre 1% e 12%.

O projeto, que já estava nos planos da empresa antes do covid, foi acelerado de forma impressionante, após o anúncio da quarentena. O plano era de que fosse executado em 5 meses, mas, com o ocorrido, foi concluído em apenas 5 dias. Dessa forma, além de permitir que milhões de brasileiros possam continuar trabalhando, sem sair de casa e sem correr riscos, a ação do Magazine Luíza ajuda a marca a se expandir ainda mais, atingindo um público cada vez maior, mesmo em tempos de crise.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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2 Comentarios

  1. Magda M F Costa

    2 de julho de 2020 at 20:23

    Excelente matéria!
    É tempo de reinventar. Aprendi há muitos anos que “a crise provoca a criatividade” e não tenho dúvida. Estamos pensamos naqueles que querem se desinstalar, do contrário, se escondem atrás de um vitimismo intolerante. E lá vem o Brasil paternalista…

    Responder
  2. Souza

    30 de abril de 2021 at 08:58

    Muito bom este site!
    Fizeram um ótimo trabalho.
    Parabéns!!!

    Responder

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