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HackTalks 2020

“Muitas pessoas farão a opção por viagens de carro, mais curtas”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 4min de leitura

Conversamos com Flavia Lorenzetti, líder da operação brasileira da rede Selina, sobre a cultura da empresa e desafios da pandemia para o turismo. Confira.

Conte-nos um pouco sobre a Selina, uma das redes mais inovadoras do turismo mundial, e sobre o seu trabalho como líder da operação no Brasil.  

A Selina veio com uma grata surpresa para mim e de fato veio para ficar. Para chacoalhar a vida pacata da hospitalidade em geral, quebrar paradigmas e construir novas pontes. A frente no tempo, um produto para pessoas com uma visão diferente da vida cotidiana. Criada para nômades digitais, para. Milenials, acabou abraçando diversas categorias, pessoas. Quando falo de Selina, falo em uma experiência que conecta pessoas. Um ambiente sempre acolhedor, e uma filosofia que engloba tudo que é inovação. 

Me juntei a este sonho desde o início, para colocar a empresa de pé no mercado Brasileiro. Formar um time forte e que acreditasse na cultura Selina. Mesmo acostumada as start-ups e aos desafios que elas trazem, Selina elevou a barra. Um produto tão diverso, tão completo, me exigiu desenvolver muitas frentes de uma só vez. Quando me dei conta estava no processo todo, desde o real state, procurando pela locação correta até entrevistando a equipe do primeiro hotel.

Foram dois anos bem interessantes, com uma curva de aprendizado que subiu como um foguete. 

A Selina veio mexer com o mercado, mas também com todas as pessoas que se envolvem com ela. No fim, um saldo super positivo desse “maternal”, prontos e ávidos pela pré escola.

Em termos de cultura da empresa, o que faz com que a Selina seja tão criativa e tão inovadora? 

O dia a dia na empresa é bem diferente, desde os cargos, até a maneira como trabalhamos. A cultura é altamente inclusiva. Um lugar onde você pode ser exatamente você, sem se preocupar com estereótipos. Imagine juntar artistas altamente criativos com administradores e gestores, altamente competentes. Me recordo de um processo de seleção, meu primeiro Art Leader (responsável pela curadoria dos artistas que dão vida a Selina), ele me disse “o emprego dos sonhos. Uma empresa que acredita na arte, poderei juntar administração com a minha paixão”. Parte do time, acabou encontrando gerenciamento de pessoas e projetos além do dia a dia do artista. 

É como se tivéssemos “obrigação” de nos divertir no trabalho. Isso deixa o clima muito mais leve, horários flexíveis, trabalho remoto, drinks com a equipe, viajar o Brasil e quica o mundo. 

Estas mentes criativas, (marceneiros, artesãos, pintores, produtores de eventos) trazem conceito e vida, imagina só o que vem no pacote?

Como o Covid-19 impactou o trabalho de vocês? Como a Selina vem se transformando para se adequar às mudanças? 

Covid impactou nosso trabalho de duas formas. Inicialmente da forma negativa, com a responsabilidade de manter a segurança de todos de fechar unidades, a responsabilidade com as equipes. Afinal nosso dia a dia é convívio social. 

Passado o primeiro “baque”, adaptações feitas, medidas necessárias aplicadas, veio a fase de entender o cenário Global e como ele nos impactaria. 

Diante disso, enxergamos oportunidades. As pessoas aprenderam o que estávamos lutando para transmitir desde o início. Trabalho remoto, viajar e trabalhar de qualquer lugar, home office, o desapego a tantas coisas materiais e viver e buscar a conexão com a natureza, buscar qualidade de vida diariamente, o café da manha a la carte, com comida saudável que alimenta e cura.

Ou seja, a empresa pós pandemia, já ganha até um novo produto. O “subscription” Você paga uma assinatura mensal e mora no mundo com acesso grátis aos Coworkings e atividades Wellnes.

A Selina tem uma pegada muito forte no trabalho em rede, colaborativo e descentralizado, em que profissionais do mundo todo circulam pelas unidades, trabalham em projetos conjuntos. Como funciona isso, na prática? E como o isolamento impactou nessa dinâmica? 

Funciona muito bem, temos engenheiro brasileiro que já foi gerenciar obra nos Estados Unidos, arquiteta decoradora que foi para a Colombia, tenho hoje aqui comigo colombiano, turco, que pela pandemia, acabaram ficando “presos”no Brasil. Já tenho na equipe um Cubano que conheci no México, me pediu vaga no Brasil, hoje já está com cidadania. Durante o pico da pandemia muitas nacionalidades acabaram ficando travadas em diversos países. Poucas movimentações foram feitas, por um questão de responsabilidade com o próximo. Mas o impacto não foi grande. Uma vez que quem estava baseado em algum projeto acabou ficando por lá. 

Muito vem sendo dito que o COVID-19 mudará o perfil do turismo no Brasil e no mundo. Como você enxerga essa questão? E quais as novas realidade que você vê pela frente?

Acredito que ate 2022 no Brasil vamos atender uma demanda reprimida (ávidos e desesperados por viajar) que vão circular no mercado interno. Devido as restrições de viagens e ao cambio da Moeda também. Penso que muitas pessoas farão a opção por viagens de carro, mais curtas, ou finalmente riscar da lista aqueles wish lists locais que vamos deixando “Porque ir pra outro País sai mais barato”. 

As pessoas vão aprender a viajar recebendo menos serviço, e pode ser que descubram que não precisem deles. Algumas atrações turísticas e Cruzeiros devem sofrer mais nesse início também. 

Como mencionei anteriormente, também creio que vai abrir uma janela maior para o turismo de Nomades digitais. Uma nova forma de viajar. Explorar o mundo seja sozinho, ou em família. Esse período trouxe o Home Schoolling para o foco e começou a movimentar o governo para essa aprovação. Caso isso ocorra, ai só vai chancelar esse novo tipo de viajem estendendo a famílias completas. Muita coisa tende a mudar junto a isso.

Indo mais a fundo, agora na questão do marketing e do branding, como têm sido as estratégias de marketing da empresa no Brasil e na América Latina? 

A Selina nunca foi de fazer grandes barulhos. Sempre acreditou na estratégia “boca a boca”. No Brasil nossa estratégia foi fincar a bandeira em grandes capitais (Rio e SP) para gerar o conhecimento da marca e então espalhar o produto.

Temos algumas parcerias com pessoas e influencers que são a cara da marca. Chamamos de experience board. Esse time, sempre local, constrói em cada propriedade a identidade e grupos de relacionamento, que acabam tornando esse ‘boca a boca” bem eficaz. Essa estratégia usamos para o mundo todo. Estamos no digital também com alguns streams ligados á musica. 

O Selina tem um compromisso muito forte com as comunidades em que está inserido, além da responsabilidade social. Como isso é feito, na prática?

Temos um departamento de impacto e comunidade. Nossa chegada a um novo destino sempre tem esse cuidado. Envolver a comunidade local, ser point para eles também e não só para os viajantes. Temos horas comprometidas de trabalho a sociedade para devolver um pouco do que  recebemos dos lugares e das pessoas. E ao máximo temos mão de obra local. Desde o artista que vai pintar as paredes do hotel, o parceiro do surf até o parceiro que ira representar a empresa com passeios turísticos ou venda de retail.

Pra finalizar, quais são os seus aprendizados nesse tempo de Selina, que você gostaria de compartilhar com nossos leitores?

Nada é impossível! Toda idéia deve ser avaliada!

Tenha os chamados “lunáticos” no time, se divirta sem medo, seja você acima de tudo.

Nunca tenha medo dos seus sonhos, conheci proprietários com histórias de arrepiar, em como criaram seus negócios. Acredite no que sonha até o fim, e deixe de lado o medo e va em busca dele.

O mundo corporativo não precisa ser tão engessado e sem vida. As pessoas produzem mais sendo elas mesmas.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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1 Comentario

  1. Marisa Romão

    22 de agosto de 2020 at 08:16

    Bom dia.
    Que delícia ler este texto.
    Sou agente de desenvolvimento local, Guia de turismo, e amo ser eu mesma em tudo que realizo, me identifiquei com tudo isso. Interajo muito bem com empreendorismo e criatividade, gente precisa de gente.
    Parabéns pelo trabalho de vocês.
    @maris.romao

    Responder

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