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HackTalks 2020

“Mais do que ajudar na estruturação das startups, neste momento estamos a abrindo oportunidades de negócio a elas”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 13min de leitura

Conversamos com Ricardo Marvão, cofundador da Beta-i, projeto que fez história por ser protagonista na formação do ecossistema de startups de Portugal, hoje um dos principais do mundo. E que acaba de se transformar em uma consultoria de inovação colaborativa global, chegando, inclusive, ao Brasil. Confira.

A Beta-i faz 10 anos de atividade sendo um dos principais propulsores do ecossistema empreendedor de Portugal e, reconhecidamente, um dos programas de incubação e desenvolvimento de startups mais efetivos e impactantes do planeta. O fato de Portugal, e principalmente da cidade de Lisboa, se tornar um dos principais hubs de startups do mundo tem participação crucial da Beta-i. Diante disso, como você vê o ecossistema empreendedor do país atualmente?

Criar um ecossistema demora bastante tempo – 10 anos mínimo. Dado que o ecossistema empreendedor em Portugal começou a dar os seus primeiros em 2010 com o aparecimento das primeiras aceleradoras e entidades que criaram uma disrupção no tecido empresarial, diria que estamos bem avançados no processo. Começamos a ter algumas scale ups, unicórnios, algumas empresas já com alguma dimensão, com rodadas internacionais, foi criado muito bom talento em Portugal e atraímos muitas startups internacionais. Com isso, vieram também muitos centros de excelência internacionais e eventos de relevo, como a Web Summit, entre outros.

A prova de que estamos trilhando um caminho de sucesso está nos próprios rankings: segundo o Scoreboard de Inovação 2020 desenvolvido pela Comissão Europeia, Portugal subiu e foi um dos países com o maior aumento de performance, juntando-se ao grupo dos inovadores mais fortes da Europa; além deste, o ranking 100 Top Emerging Ecosystems da Startup Genome, acabado de divulgar, distingue a cidade Lisboa na 12ª posição. Esta evolução mostra-nos como demorou algum tempo a criar um ecossistema em Portugal, nascido em plena crise financeira, sendo que uma nova crise como a que estamos a viver hoje pode afetar bastante o mercado.

As startups são desenhadas para crescer rápido, estão muito alavancadas em termos de recursos – muitas têm financiamento de capital de risco, metas de crescimento muito ambiciosas, estruturas que, tipicamente, são maiores que as suas vendas, até porque não estão desenhadas para o agora mas para o futuro.

Quando há uma crise desta dimensão, já se começa a ver uma retração do investimento de capital de risco. Algumas rodadas que estavam a ser fechadas foram adiadas e há também uma redução na faturação. Algumas medidas são necessárias, e o governo está a começar a alterar e a contemplar mais as características das startups. Neste sentido, é muito importante que se consiga evitar um colapso e não perder o que conquistamos nos últimos 10 anos.

Quais foram, na sua opinião, os principais desafios enfrentados pelo ecossistema empreendedor de Portugal nesses anos de desenvolvimento? E quais desafios você vê para o futuro?

No início é sempre difícil alterar o mindset das pessoas e das empresas já estabelecidas, fazer com que acreditem que é possível inovar de forma diferente, com novos métodos e ferramentas, de forma colaborativa, rápida e lean.

A segunda etapa foi começar a mostrar valor com casos de sucesso onde fosse visível a mais valia de programas como inovação interna ou inovação aberta, trabalhando lado a lado com os departamentos empresariais com os seus múltiplos desafios e as soluções trazidas pelas startups mais inovadoras a nível mundial.

Hoje em dia já ninguém que tenha passado pela experiência põe em dúvida os benefícios e valor destas trocas e programas. Mas ainda há bastante trabalho pela frente. Na realidade há e haverá sempre. Assim é a inovação. E para isso é necessário treinar as equipes internas a acreditarem mais na colaboração, mesmo entre empresas, para chegar a mercados onde sozinhos seria impossível. 

Quais são as vantagens de se iniciar um negócio em Portugal, em termos de apoio ao negócio? E, no que vai além dos negócios, o que o país, e mais precisamente a cidade de Lisboa, tem de atraente aos talentos e empreendedores criativos e inovadores do mundo todo?

Não há dúvida de que Portugal se tornou num dos melhores países europeus para criar um negócio, sendo que as vantagens vão muito além do apoio prestado. O país possui uma cultura rica, infraestrutura desenvolvida, excelente qualidade de vida, preços competitivos e talento altamente qualificado. Uma das primeiras vantagens se dá com benefícios e incentivos fiscais implementados pelo governo, em que, por exemplo, nos primeiros 10 anos, os estrangeiros que trabalham em setores estratégicos (como tecnologia) podem se beneficiar do estatuto de Residente não habitual, que permite que o salário seja tributado com uma taxa fixa de 20%. Em relação ao talento, alguns dos colaboradores de topo em empresas globais de tecnologia são portugueses, devendo-se, em parte, às universidades portuguesas que produzem talento tecnológico qualificado todos os anos. Isto significa que Portugal tem uma massa forte de competências tecnológicas, sendo que construir um negócio no país permite ter acesso a talento de qualidade e estar na vanguarda da inovação.

Outra das vantagens está no preço dos imóveis, sendo que escritórios em Lisboa ou no Porto são pelo menos 50% mais acessíveis do que em cidades como Londres ou Berlim. Com o crescimento do ecossistema empreendedor no país, existem vários hubs de inovação e espaços de cowork espalhados pelas principais cidades, muitos deles com abrangência global, o que permite acesso a uma rede de network bastante vasta. As barreiras linguísticas são bastante reduzidas, principalmente nas grandes cidades de Lisboa e Porto, já que a maioria dos portugueses fala inglês com facilidade e normalmente falam mais uma língua. Por fim, somos um país com um excelente clima (3000 horas de sol por ano) e gastronomia magnífica, um país seguro (3º país mais seguro do planeta de acordo com a UN) e acessível.

Para todos aqueles que procuram iniciar um negócio em Portugal, disponibilizamos ainda uma série de ferramentas com informação útil. É o caso do Startup Hub, uma base de dados do empreendedorismo em Portugal. É uma plataforma digital, voltada para a comunidade, que mapeia startups, incubadoras e centros de tecnologia e que inclui informações sobre os vários apoios e iniciativas disponíveis em Portugal. Neste momento, apresenta uma série de iniciativas e programas de investimento às quais as startups se podem candidatar, lideradas por empresas.

A crise do Covid tem tido enorme impacto em todos os segmentos da economia mundial. Como os empreendedores de Portugal estão sendo impactados nesse sentido? E o que as startups e os agentes do ecossistema estão fazendo em resposta aos impactos da pandemia?

Um momento de crise é também um momento de oportunidade para fazer diferente e sobretudo melhor, para todos. Sendo que esta crise, pela forma como está afetando a vida de todos em escala global, tem potencial para contribuir para uma verdadeira mudança de paradigma. Tal como todas as empresas, as startups também estão passando por momentos difíceis. No entanto, a capacidade do ecossistema de se reinventar e juntar forças para combater o Covid-19 e ultrapassar esta crise tem sido impressionante.

Desde o surgimento de novas empresas, à adaptação dos negócios frente às necessidades atuais, até à união para criar diariamente novas soluções que garantam a segurança dos portugueses (exemplo disso é o Tech4Covid), estamos assistindo um pouco de tudo. Portugal tem sido inclusive apontado como um bom exemplo em criar respostas para a pandemia. De acordo com relatórios semanais do Observatório para a Inovação do Setor Público da OCDE, Portugal foi criador de 37 das 415 respostas inovadoras ao COVID-19 que a organização acompanhou. Este número é maior do que de qualquer outro país incluído no estudo.

No entanto, é importante preservar, o quanto possível, este ativo que já é responsável por uma importante fatia do PIB e por criação de emprego especializado e de alto valor acrescentado. Neste sentido, foi criado um grupo de trabalho com o Governo para colaborar no desenho de medidas de mitigação do impacto do COVID-19 no ecossistema empreendedor, e algumas das medidas pretendidas já foram anunciadas e estão sendo implementadas.

As startups têm características muito próprias: são desenhadas para um crescimento acelerado, muitas dependem de investidores profissionais de capital de risco, da capacidade de captar recursos altamente especializados e muitas vezes assentam em modelos de negócio que demoram a ser rentáveis. Por isso, é importante fazer o que for possível para encontrar soluções de apoio à parte financeira e flexibilização de investimento no ecossistema de startups do país.

Muitas já estão sofrendo, algumas modificando profundamente a sua estratégia para se adaptar e sobreviver, e outras se beneficiando da crise, pois a tecnologia será parte da solução. A maioria dos governos Europeus e de todo o mundo tem apostado muito em proteger as startups como um ativo estratégico e penso que isso também vai acontecer em Portugal, dentro do possível. Portugal tem um forte histórico de inovação.

Neste sentido, também a Allied for Startups, entidade internacional fundada em 2013 por várias organizações do ecossistema, incluindo a  Beta-i, tem feito um trabalho forte em incentivar governos e organizações internacionais a tomar medidas para apoiar startups a fazer frente à crise econômica provocada pela pandemia. A organização já lançou a ferramenta covid-19 startup toolbox, para partilhar medidas e melhores práticas.

Por fim, também a Beta-i tem veiculado neste momento uma temporada do podcast BetaCast dedicado a “Innovation Policies” onde serão entrevistadas várias entidades governamentais. Uma das entrevistas que foi para o ar dia 2 de julho, inclusive, conta com a participação de um dos Membros do Parlamento Europeu sobre o seu foco na área de inovação e abertura a soluções criadas por startups.

Falando agora mais especificamente da Beta-i, vocês estão passando, atualmente, por uma grande transformação: deixam de ser uma associação sem fins lucrativos e se tornam uma consultora de escala global. Conte-nos mais sobre essa mudança e seus objetivos.

Após 10 anos de muito trabalho em diferentes áreas, conseguimos cumprir a nossa missão enquanto associação sem fins lucrativos – somos um player chave no estabelecimento de um ecossistema de inovação em Portugal, que desde o início contribuiu para a transformação de mindset e da própria economia, e conseguimos ser formalmente reconhecidos como uma das aceleradoras de startups líderes na Europa (WIRED Magazine, Startup Heatmap Europe 2019, entre outros). No entanto, agora, já não estamos na fase de alimentar este ecossistema de inovação na sua base. Crescemos com ele e agora é hora de cuidar dele: ajudar a dar-lhe maior robustez e torná-lo mais maduro e abrangente, atuando dentro da economia como um todo pois este é um processo incontornável.

Como tal, dez anos depois, chegou também a hora da Beta-i passar por um ciclo de mudança, de forma a continuar a ser relevante num nível diferente. A mudança surge do trabalho que fizemos nos últimos anos e que ainda não era exatamente compreendido pelo mercado. Nos últimos 3 anos começamos a trabalhar para sermos uma consultora que atua em nível global, passando por várias mudanças.

Com a dimensão que ganhamos, deixou de fazer sentido sermos uma associação sem fins lucrativos e, portanto, passamos a ser uma entidade privada que presta serviços a grandes empresas e ecossistemas. Reorganizamos nosso posicionamento e redefinimos as nossas áreas de atuação, focando essencialmente no território de inovação colaborativa.

Começamos a construir novos ecossistemas em novas geografias, fora de Portugal – já temos clientes e projetos em 20 países, nos 5 continentes. Deixamos de trabalhar de forma isolada com startups, trabalhamos a um nível muito mais inclusivo e colaborativo do que antes: conectamos startups globais, grandes empresas, universidades, pesquisadores, investidores, mentores e governos juntos para trabalhar em programas de inovação e desenvolver projetos piloto com impacto na economia. Por fim, mudamos toda a imagem da nossa marca, pois o que tínhamos já não refletia toda a nossa atuação global e a nossa forma de estar.

Nessa nova atuação, como fica a parte de startups?

Tal com referi anteriormente, nos últimos anos, a Beta-i deixou de estar apenas focada no ecossistema de startups, pois percebemos que para trabalhar e promover a inovação de uma forma global, não podemos ficar apenas por aqui – temos também que ajudar o tecido empresarial e as grandes e médias empresas a adaptarem-se aos novos tempos e ao contexto de antecipação e transformação tecnológica. Por isso criámos áreas de atuação específicas para fazer frente a estas necessidades. Atualmente atuamos em três frentes dentro da área de inovação colaborativa:

Unir empresas e startups para resolverem os desafios dos negócios: são os programas que unem empresas e startups, empresas e empresas, startups e startups para trabalhar inovação e os desafios dos negócios em conjunto (Open Innovation)

Unir os experts da Beta-i com as equipes das empresas, para compreender clientes e oportunidades e desenvolver respostas: construção de estratégias, produtos e serviços orientados aos clientes finais, assegurando experiências e relações com as marcas num processo que também é de aprendizagem aos próprios colaboradores das empresas (Business Innovation)

Facilitar a conexão entre os diferentes agentes que fazem um ecossistema de inovação acontecer: enquanto antes, o nosso foco era a aceleração de startups de uma forma “isolada”, agora acionamos a nossa rede de contatos para que todos cresçam juntos, e a nossa vasta expertise de startup building seja utilizada para o benefício do ecossistema (universidades, instituições sociais, etc) (Ecosystem Acceleration)

Ainda somos muito procurados por startups, por razões compreensíveis: continuamos a ter no nosso portfólio, porém em pausa neste ano, produtos como o Lisbon Challenge, considerado um dos 10 principais aceleradores de startups da Europa, e o Lisbon Investment Summit, um evento hiper informal que traz investidores internacionais para conhecer o nosso ecossistema português. No entanto, as startups começam também a perceber que amadurecemos e que a forma como a Beta-i lhes dá suporte neste momento passa sobretudo por colocá-las na frente de grandes empresas, que partilham dados, abrem portas e investem nas soluções de diferentes formas. Mais do que ajudar na estruturação das startups, neste momento estamos a abrindo oportunidades de negócio a elas.

Assim, a ajuda às startups passa a acontecer dentro dos próprios programas de inovação colaborativa, ajudando a adaptar as suas propostas de negócio às necessidades de inovação identificadas pela Beta-i junto às empresas. Tudo isso, sem considerar as possibilidades de investimento através da operação dedicada para isso, o nosso fundo de investimento LC Ventures.

Desde sempre, a Beta-i tem a inovação colaborativa no seu DNA. Conte-nos um pouco sobre esse conceito, e como ele é colocado em prática.

A história mostra que ninguém resolve nada sozinho, sobretudo neste período de incerteza que estamos vivendo. A colaboração foi fundamental para a resolução dos grandes problemas que a sociedade enfrentou ao longo do tempo, por isso, nas empresas, nas startups e em todo o ecossistema, nunca poderia ser diferente.

As startups tendem a ser especialistas em determinadas áreas, e as grandes empresas, muitas vezes, acabam por tornar-se “generalistas” diante da necessidade de gerir todas as suas dimensões e unidades do negócio. É por isso que abraçamos o conceito da inovação colaborativa, pois as startups podem ser parceiras poderosas, sendo essa complementaridade que gera resultados.

Como tal, ao atuarmos hoje com clientes e projetos em 5 continentes, nos propomos a conectar grandes empresas com as melhores startups de todo o mundo, para que ambos impulsionem o seu crescimento e sustentabilidade, gerando resultados reais para todos. Perante um novo cenário e novo contexto mundial – “new world, new challenges” – teremos também novos desafios onde a inovação colaborativa e o “win-win” serão fundamentais.

A Beta-i tem cada vez mais programas de inovação colaborativa, em diferentes mercados e geografias, e com diferentes modelos, desde single corporate, cadeia de valor e global peers. Estamos cada vez mais focados no desenvolvimento de pilotos de sucesso e em resolver desafios muito concretos e relevantes para as grandes empresas e desenhar modelos de colaboração sustentáveis com as startups. Estamos também olhando para novos modelos mais rápidos e baratos, que permitam explorar oportunidades e resolver desafios de inovação mais específicos de forma a acelerar o matching entre empresas e startups para contextos de maior urgência e emergência, como aquele que estamos vivendo atualmente, em que o tempo é um imperativo cada vez mais relevante.

Ao longo desses 10 anos, que resultados práticos a Beta-i se orgulha de ter alcançado?

Ao longo de 10 anos, trabalhámos as áreas de aceleração, incubação e investimento, ajudamos a criar startups, criamos programas de educação e empreendedorismo, fomos promotores de eventos chave para o ecossistema e promovemos o cluster de venture capital em Portugal. Olhando para números, desenvolvemos literalmente centenas de programas de aceleração, apoiamos o desenvolvimento de mais de 2000 startups e desenvolvemos mais de 250 projetos de inovação em mais de 15 mercados diferentes, para cerca de 150 clientes internacionais, através dos quais foram viabilizados 300 projetos-piloto. Destes, mais de 120 foram transformados em negócios entre empresas e startups.

Algumas das principais vitórias ou momentos chave foram: 

  • A realização das primeiras Beta-Talks, que criaram o início da comunidade Beta-i, e dos Beta-Starts, como a primeira startup school organizada em Portugal, que capacitou muitos novos empreendedores nacionais. 
  • A criação do Silicon Valley comes to Lisbon, que marcou talvez o momento internacional inaugural desta nova era de empreendedorismo global. A realização anual do Seedcamp Lisboa e o investimento internacional na primeira leva de startups internacionais.
  • A realização do Lisbon Challenge em 2013, que foi o primeiro acelerador global em Portugal, com mais de 75 startups de todo o mundo na sua primeira edição, que depois evoluiu para o principal programa de aceleração com investimento em Portugal e uma referência na Europa. 
  • A criação do nosso fundo de investimento LC Ventures como um dos mais activos e primeiros investidores early stage. 
  • A criação do #LIS – Lisbon Investment Summit, como o evento de comunidade e investimento de referência em Portugal. 
  • O projeto Europeu Atalanta, que marcou o primeiro consórcio Europeu de aceleradoras e deu origem à criação da European Accelerators Network (hoje com mais de 80 aceleradoras que participam anualmente). 
  • A ajuda na fundação da Allied for Startups e da European Startups Network (ambas baseadas em Bruxelas na ajuda em policies focadas nas startups), e que influenciou em muito a criação da Startup Europe. 
  • A criação dos primeiros programas de inovação aberta com a Deloitte e a Fidelidade em 2015. 
  • A fusão com a Couture e a criação duma oferta integrada de inovação. 
  • A montagem, escrita, desenho e distribuição do primeiro livro, o Lisbon Startup Guide, que retrata verdadeiramente a comunidade e os vários stakeholders que participam ativamente no ecossistema português, com lançamento em Lisboa em 2016 durante o primeiro WebSummit no nosso país. 
  • A criação da European Innovation Academy, um importante acelerador de mindset para jovens, em parceria com a CMCascais e o Santander (com resultados fantásticos onde mais de 500 jovens/ano de mais de 60 países a montarem a sua startup em equipas em um mês, e onde participam 23 universidades portuguesas e mais de 70 internacionais). 
  • A criação da Singularity University e do Singularity Summit em parceria com a CMCascais e a NovaSBE (com mais de 700 executivos treinados no primeiro ano).

Passada uma década, sem dúvida conseguimos cumprir nossa missão – somos hoje um player chave no estabelecimento de um ecossistema de inovação em Portugal, pois estivemos lá desde o início, nos momentos-chave desta transformação de mindset e da própria economia, e conseguimos ser reconhecidos como uma das aceleradoras de startups líderes na Europa. É este legado “from the bottom-up” que nos deu legitimidade para atuar junto a grandes empresas e transformar a Beta-i no que ela é agora.

Para finalizar, quais os planos da Beta-i para o Brasil? E como será feita a articulação entre as iniciativas da Beta-i em Portugal com o escritório no Brasil?

A operação do Brasil foi desenhada de forma que possa ser a mais autônoma possível. Temos uma CEO e sócia local que lidera a operação, e alocamos uma pequena equipe para fazer o negócio crescer. No entanto, a Beta-i Brasil conta com o apoio da Beta-i Portugal em várias competências e algumas das iniciativas são alavancadas pelo fato da Beta-i ser uma organização internacional e com base em Portugal e na Europa.

Neste momento temos vários projetos em curso, como um com a Ambev e outro com a EDP Brasil e estamos prestes a iniciar outros projetos, o que nos vai permitindo localizar competências de forma gradual.

Enxergamos o mercado brasileiro de inovação colaborativa e empreendedorismo como de grande dinamismo, com um crescimento brutal nos últimos anos e um enorme potencial de futuro. A nossa expectativa é que a Beta-i Brasil seja uma referência no mercado e que cresça bastante a sua operação durantes os próximos anos.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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