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HackTalks 2020

“O que importa pra mim é sempre o trabalho e como a música e o artista se alinham com ele”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 4min de leitura

Josh Rabinowitz, produtor que já selecionou mais de 10 mil faixas para comerciais e filmes, fala sobre a relação entre a publicidade e a música independente em um papo rápido com o HackTalks. Confira.

Há um movimento para que as grandes marcas ajudem a salvar os músicos independentes durante a pandemia do Covid-19. E são apresentados motivos práticos para isso: com música independente, as agências e marcas não precisam gastar tanto dinheiro para obter os direitos de boas músicas ou os royalties de tocá-las, e bons músicos independentes que estão precisando no momento poderão ganhar dinheiro suficiente para sobreviver a isso. Como você vê esse cenário?

Minhas experiências durante a Covid têm mostrado que o mercado não necessariamente reduziu suas estruturas de orçamento durante esse período. Além disso, tem tido menos trabalho, além de novos acordos não estarem sendo feitos com tanta frequencia durante o Covid. Ao meu ver, músicos independentes não terão necessariamente mais oportunidades durante esse período.

Pela sua experiência, quais são os prós e os contras de trabalhar com música independente em publicidade? E que dicas você pode compartilhar com as agências que desejam seguir nessa direção?

O pró é que a oportunidade de encontrar algo único e original é maior. Para mim, a originalidade é a maior de todas as moedas. O contra é que geralmente, é difícil obter as devidas documentações.

Acho que a maioria das agências, por causa da aversão à responsabilidade e à violação de propriedade intelectual, não está disposta a correr riscos se tudo não for amarrado da perspectiva dos direitos. Penso que, para romper isso, às vezes riscos podem ser estratégicos e cirurgicamente assumidos.

O que você normalmente procura em um artista quando está em busca de música? E o que um artista independente pode fazer para melhorar suas chances de ser selecionado?

O que importa pra mim é sempre o trabalho e como a música e o artista se alinham com ele. Isso conduz meu processo de decisão.

Em artigo recente, você mencionou que, durante a pandemia do Covid quase toda a música usada em publicidade, marketing, mídias sociais e mensagens políticas é muito parecida, e até soa a mesma coisa. Você tem notado alguma tendência em termos de que tipo de música está sendo licenciada / comissionada? E como músicos independentes podem se aproveitar disso?

Nos últimos meses, a música que ouvi em novas propagandas é basicamente a mesma. Geralmente é solene, agridoce, edificante, muito piano minimalista com formas repetidas ou acordes e cores orquestrais em tom sério. Muito óbvio e de impacto emocional. Se músicos independentes têm músicas que preenchem esse espaço, parece haver uma oportunidade.

Existe alguma coisa que te faz menos propenso a usar a música de um determinado artista?

Não para mim! Estou aberto a todos os tipos de artistas e músicas, desde que eles se alinhem e suportem uma ótima ideia.

Uma pergunta mais generalista: o que caracteriza uma ótima trilha sonora?

Para mim, uma ótima faixa é aquela que é única, que gera emoções e é claramente atraente. Isso não significa que estou sempre procurando esse tipo de música, pois cada situação é distinta no meu trabalho.

Você atualmente lidera uma consultoria musical chamada Brooklyn Music Experience. Conte-nos sobre sua empresa e os serviços que você oferece?

Essencialmente, se um criador de conteúdo, uma startup de música, de marketing ou empresa de mídia estiver procurando mentoria, acesso ou conhecimento sobre qualquer coisa relacionada à música, eu posso ajudá-los.

Pra finalizar, você passou a vida toda trabalhando com música e publicidade. Quais são os trabalhos de que você mais se orgulha ao longo de sua longa carreira de sucesso?

Estive envolvido em vários trabalhos musicais incríveis que foram criados para anúncios e depois foram lançados como faixas na cultura geral e foram lançados por gravadoras ou tiveram uma mídia social impactante. Alguns deles são:

  • Alana David “Carry On”, originalmente para a Sony Electronics
  • Macy Gray “Walk this Way”, originalmente para a Sony Electronics
  • Los Lonely Boys “I Walk the Line”, originalmente para a Sony Electronics
  • Queen Latifah “Every Woman is a Queen”, para CoverGirl
  • Arcade Fire “Wake Up”, para a NFL
  • Parody of Seal’s “Kiss from a Rose”, “SuperBowl Babies”, NFL
  • E o recente Tank & The Bangas “cover de “What the World Needs Now” do Burt Bacharach’s, como tema da campanha global de relançamento do Yahoo.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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1 Comentario

  1. Leandro

    30 de junho de 2020 at 20:09

    Incrível a matéria. Inspiradora. Parabéns!

    Responder

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