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HackTalks 2020

“O setor de turismo vai sobreviver ao Covid-19, mas com grandes mudanças”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 5min de leitura

O que três dos principais executivos desse mercado tem a dizer sobre o futuro do turismo, no pós Covid-19? Vale a leitura.

A revista Fast Company conversou com executivos de grandes empresas de um dos mercados mais afetados pela pandemia do Covid-19: o Turismo. Entre eles, do AirBnB, Hyatt e Kayak, que selecionamos e trouxemos até vocês. Na matéria, eles falaram um pouco sobre o que estão fazendo e sobre o que o mercado do turismo deve fazer para sobreviver ao coronavírus. O resultado dessas conversas é bem interessante. Confira:

AirBnB

Joe Gebbia, cofundador e Chief Product Officer no AirBnB, conta que há três tendências que a empresa vê para o pós-pandemia. A primeira é viajar mais localmente, a segunda é a busca por opções acessíveis, e a terceira é a exigência por limpeza e por espaços privados nos locais de hospedagem. 

Para ele, as pessoas não vão querer embarcar em aviões tão rapidamente e, com isso, as viagens domésticas, a destinos próximos, serão algo muito forte por muito anos. Gebbia destaca que isso não tem a ver com a chegada de uma vacina. As pessoas, segundo ele, terão uma tolerância  bem diferente a riscos também diferentes. Além disso, em função das dificuldades financeiras decorrentes dessa crise, as pessoas vão procurar por viagens mais acessíveis, e essas viagens mais acessíveis certamente serão no seus próprios “quintais”.

Gebbia aponta que, a partir de uma análise das reservas de 18 a 31 de maio, o AirBnB detectou que houve muito mais conversão para viagens domésticas, globalmente, do que no mesmo período de 2019, o que, para ele, é surpreendente, pois mostra que para cada semana que as pessoas ficam isoladas em casa, surgem demandas para que essas pessoas queiram ir a algum lugar ou simplesmente saírem de casa.

Sobre viagens de negócios, Gebbia crê que haverá muita transformação. Segundo ele, todos estão experimentando o fato de que dá pra continuar fazendo negócios sem estar pessoalmente juntos. Já era uma tendência, na verdade, que a pandemia acelerou, completa.

Em relação ao que o AirBnB vem fazendo para superar a crise, Gebbia conta que o foco são as experiências on-line, algo que, segundo ele, nunca teriam imaginado se não fosse a pandemia. Como exemplo, ele cita um host que o AirBnb tem em Portugal que passou a oferecer uma aula on-line de fabricação de sangria e já recebeu mais de US$100.000 em reservas nos dois primeiros meses. Houve também experiências com um monge budista no Japão, um monge de verdade, destaca, que oferece um curso de meditação por cerca de 30 dólares. Ou seja, o online tem muito a ser explorado.

Além disso, Gebbia diz que a ideia de não necessariamente trabalhar em casa, mesmo que o trabalho seja remoto, também tem um enorme potencial. É o que ele chama de “working from anywhere”. “É legal pensar nisso”, conclui.

Hyatt Hotels

Mark Hoplamazian, CEO da Hyatt Hotels, que opera mais de 900 hotéis e resorts no mundo todo, conta que a empresa já está com praticamente todos os seus hotéis reabertos na China, e há um aumento constante na demanda, o que ele atribui à confiança das pessoas em função do nível de rastreamento e segurança que foi implantado por lá. 

Além disso, destaca que em outras localidades as reservas estão começando a se recuperar, primeiro os Estados Unidos e depois a Europa. No entanto, no momento, é tudo relacionado a viagens de lazer. Segundo Hoplamazian, as viagens de negócios levarão mais tempo para retornar, devido ao foco atual no trabalho remoto, e diz que ainda é cedo para prever o que virá pela frente nesse sentido. Por isso mesmo, conta que os hotéis mais afetados, e que certamente levarão mais tempo para se recuperar, são as bandeiras dedicadas a reuniões de trabalho e convenções, enquanto as redes de preço baixo foram as menos impactadas.

Sobre inovações implementadas pela  empresa, ele conta que as principais, que também poderão funcionar muito bem no pós-covid, foram:

  • Casamentos híbridos: uma versão em streaming é disponibilizada para parte dos convidados e, no presencial, com menos pessoas, os convidados são distribuídos por toda a propriedade para que haja o distanciamento adequado. Segundo ele, isso é algo que se pode continuar oferecendo para que noivos com parentes que não podem estar presentes ou que não possam vir de lugares longes participem do evento.
  • Soluções exclusivas para refeições: um tipo de experiência de buffet que você pode entrar e selecionar o que deseja e, em seguida, tudo é preparado para você e trazido para a sua mesa, em vez de você ter que servir a si próprio. Ou a opção de um buffet móvel, em que um carrinho pode ser levado a mesas diferentes. 

“Esse nível de experimentação”, conclui, “é uma das coisas maravilhosas que surgiram da pandemia”.

Kayak 

Steve Hafner, cofundador e CEO do mecanismo de busca de viagens Kayak e CEO da plataforma de reservas de restaurantes OpenTable, conta que, por operar também na China, teve uma leitura bem antecipada do que o Covid-19 causaria para os seus negócios. A partir disso, suas duas empresas começaram a contactar seus usuários, tanto viajantes como clientes dos restaurantes, e informá-los sobre medidas governamentais, políticas de cancelamento, entre outros pontos de relevância, o que ajudou muito a evitar situações imprevistas.

Ele conta que, no momento, a página inicial do Kayak está focada em aluguel de carros, já que as pessoas estão optando por dirigir ao invés de voar, e isso impacta principalmente a Europa, em viagens entre países. Já na OpenTable, permitiu que os supermercados começassem a fazer reservas para as pessoas comprarem sem fila e com capacidade controlada, e aos restaurantes trouxe a capacidade de agir como mercearias e vender produtos como kits de preparação de refeições e afins. Para Hafner, esse foco em reservas e controle de capacidade será duradouro. “Depois de se acostumar a fazer reservas, você passa a odiar a ideia de esperar na fila. E se você é proprietário de uma empresa, depois de obter informações futuras sobre quem aparecerá amanhã no seu local, você não vai querer retornar a um modelo “cego”, finaliza.

*Confira a matéria original, na íntegra, aqui.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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3 Comentarios

  1. Fernando

    27 de junho de 2020 at 09:13

    Eu acho que a curto prazo as viagens de carro, onde tem menos aglomerações em relação aos aeroportos serão valorizadas. Grandes viagens de lazer tendem a ficar para um segundo momento. Os governos deveriam incentivar a uma menor mobilidade internacional com incentivo ao turismo regional.

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  2. Rafael Dorremin

    28 de junho de 2020 at 09:33

    O turismo regional será incrementado através de parceria de grupos teatrais e de produtores de vídeo com as prefeituras no sentido de divulgar as lendas e caracteristicas de cada município. A divulgação será feita por atores profissionais o não, dirigidos por quem já fez cinema ou produziu peças de teatro. São mini-peças, rapidamente ensaiadas e colocadas em vídeo e que chamamos de teatroquê.

    Responder
  3. Mirian Bianchi

    28 de junho de 2020 at 14:25

    Entendo que o turismo até 300km de sua casa será o primeiro a voltar, porém nao acredito que viagens internacionais nao voltem logo, pois assim que as fronteiras se abrirem e com os protocolos já disponibilizados em aeroportos , hoteis etc, a segurança vai voltar. Lembram do 11 setembro…todo o protocolo novo para embarcar? Foi logo assimilado.

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