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HackTalks 2020

“A maioria das cidades ainda não olhou para a música de forma deliberada e intencional”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 4min de leitura

Conversamos com Shain Shapiro, fundador e CEO da Sound Diplomacy sobre a importância da música para as cidades. Confira.


Você é fundador e CEO da Sound Diplomacy. Conte-nos um pouco sobre a empresa.

Eu criei a Sound Diplomacy em 2013 e ela evoluiu para uma consultoria principalmente econômica, focada em qualificar e quantificar o valor da música, fornecendo pesquisa e dados para cidades e grandes organizações. Produzimos muitas análises de impacto econômico, trabalhamos em estudos de viabilidade, conversamos com muitas pessoas e escrevemos políticas. Nosso trabalho é fazer com que as cidades e os governos se envolvam de forma positiva e proativa com a música e a economia cultural noturna como uma setor econômico – o que significa planejar, regular positivamente e apoiar a todos os que nela trabalham.

Qual a importância da música para as cidades? Por que as cidades devem investir em música?

A música é um setor da economia como qualquer outro. Ela cria riqueza se for incubada, apoiada e investida. Mas a música vai muito além disso. É uma ferramenta de desenvolvimento comunitário. É a nossa linguagem universal. É uma ferramenta fantástica para entender melhor a comunidade, quando se aprofunda nas camadas da economia e ecologia da música do lugar. E uma vez que se sabe o que se tem, quanto vale e como tudo se encaixa, é possível planejar melhor, apoiá-la e desenvolvê-la. E a música é para todos. Pode aproximar as pessoas, e precisamos disso agora.

Como mensurar esse impacto?

Podemos medir o valor econômico. Também podemos medir como os músicos se saem economicamente nas cidades, como o público está envolvido e quais barreiras – políticas ou não – dificultam o crescimento.

De forma geral, como a maioria das cidades mundo afora valoriza a música?

A maioria das cidades ainda não olhou para a música de forma deliberada e intencional. Geralmente se começa e termina com o investimento em uma iniciativa efêmera, como um festival, por exemplo. Eu sinto que isso ocorre porque eles simplesmente não têm o guia para fazer de uma forma melhor. E nós estamos trabalhando para fornecer este guia.

Qual é um bom exemplo dessa relação entre música e cidades na sua opinião? 

Existem bons exemplos. Algumas cidades têm secretários de música, departamentos de música e até mesmo prefeitos noturnos – todos criando uma necessidade maior de se envolver com a música e a vida noturna. É um ponto de partida. Pra começar, vale criar algum tipo de posição ou estrutura para reconhecer a música.

O que caracteriza um bom ambiente musical em uma cidade?

Um ambiente que não puxa para nenhum gênero específico, que é aberto a todos, focado na educação e no desenvolvimento da comunidade e que utiliza a música nas suas estruturas de qualidade de vida e bem-estar.

Como planejar tudo isso?

Conhecendo onde se está, como tudo isso se encaixa, o quanto vale e o que está ganhando ou perdendo valor. É essencial tratar a música com qualquer outra peça de infraestrutura.

Estamos passando por um momento sem precedentes com a pandemia do covid-19. E a cena musical foi muito afetada. De que forma as cidades podem criar condições para que os músicos prosperem nesse novo contexto?

O covid piorou muito as coisas, mas tudo o que está acontecendo já vem rolando há muito tempo. Os músicos precisam ser reconhecidos como empresários e tratados como tal em pontos como legislação tributária, por exemplo. As empresas de música precisam ter os mesmos direitos e oportunidades que todas as empresas. Políticas antigas, racistas ou complicadas, seja zoneamento, ruído, falta de proteção de direitos autorais, precisam ser reformadas. Precisamos erradicar a corrupção e colocar os artistas em primeiro lugar. Nossos sistemas não fazem isso. Nós podemos mudar isso agora.

Por outro lado, como os músicos podem ajudar essas cidades a enfrentar seus desafios?

Vote. Candidate-se. Faça-se ouvido. Ouça e seja empático. Tenha noção clara de que o que você gosta não é o que todo mundo gosta.

Pra finalizar, que aprendizado você gostaria de compartilhar com cidades que querem dar seus primeiros passos para se tornar uma cidade musical?

Faça uma declaração pública de que a música tem valor e aplique alguns recursos para mensurar esse valor.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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3 Comentarios

  1. Fábio Sabetta Morales

    21 de agosto de 2020 at 11:53

    Tenho acompanhado o trabalho da Sound Diplomacy desde o início de suas atividades. É altamente positivo tratarmos dessa questão por aqui. Cidades com vocações criativas temos muitas e em todos os estados brasileiros, inclusive inseridas no âmbito das Cidades Criativas da Unesco. Faltam iniciativas públicas, privadas e da própria sociedade para consolidar essas vocações. Há grandes oportunidades aí!

    Responder
  2. Maria Lucia Lopes

    21 de agosto de 2020 at 12:08

    A música é muito democrática, emociona, ensina, embala, podemos ouvir, sentir,cantar, dançar, tocar… ter contato desde cedo e seu aprendizado num país de grandes músicos é essencial.

    Responder
  3. Afonso

    26 de agosto de 2020 at 10:34

    parabéns pela entrevista, Carlos! Long live Hacktown!

    Responder

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