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HackTalks 2020

“A tecnologia facilita a exposição e a operacionalização da venda dos cafés especiais para qualquer lugar do mundo”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 7min de leitura

Conversamos com Daniele Alkmin Carvalho, criadora de uma das startups mais interessantes do “Vale do Silício brasileiro”. Confira.

Conte-nos sobre a Agrorigem. O que é, e o que faz, exatamente, a startup?

Somos uma plataforma digital de venda de cafe especial direto do produtor, uma startup que conecta compradores a produtores de cafés especiais. Estamos incubados no Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL) em Santa Rita do Sapucaí (MG), cidade conhecida como o “Vale do Silício” brasileiro, e onde acontece o HackTown.

Temos uma plataforma multilateral que em uma ponta proporciona transparência e sustentabilidade econômica para o produtor e na outra ponta oferece café de qualidade com variedade de origem, volume, sensorial, pontuação e preços, de forma ágil e com a confiança de fidelidade de amostra e produto para o comprador.

Estamos trabalhando com lotes e microlotes de diversos produtores do Brasil. Estamos buscando todas as “origens” de cafés especiais do nosso país para termos mais opções para nossos compradores e sermos referências em originação de cafés especiais no Brasil.

Nosso modelo de negócios é digitalizar o produtor, abrir mercado para vendas de cafés especiais, e para isso, fornecemos um serviço de venda para o produtor que nos confia lotes de cafés especiais por prazo determinado de exclusividade de venda Agrorigem.

O que a Agrorigem representa para esses produtores? Como a empresa lida com essas pessoas?

Certa vez um produtor nos disse que somos uma “luz no fim do túnel”. Somos uma boa opção para venda direta do produtor por trabalharmos em pontos que para eles é um grande desafio. Além de chegarmos ao mercado-alvo que lhes interessa, fazemos a nota fiscal de venda direta, conectamos as duas pontas sem outros intermediários. Assim temos condição de remunerar melhor nossos produtores além de trabalharmos com muita transparência quanto a qualidade do café que o produtor tem.

Também investimos muito em ensinar nossos produtores métodos e processos de colheita e pós-colheita que podem melhorar a bebida do café. Lidamos com muito carinho e valorizamos nossos produtores tanto em palavras, quanto nas visitas nossas e de nossos clientes em seus sítios, além de oferecermos sempre mais sustentabilidade econômica – ou seja, mais valor chegando nas mãos do produtor.

Como surgiu a ideia? Por que café?

Sou filha de produtor, além de Q-grader e especialista em cafés especiais. Vejo de perto as dificuldades de vender os cafés especiais que minha família tem.

Em um bate papo com o Guilherme Augusto, engenheiro formado no Inatel, com experiência em startups, conversamos sobre a vontade e a necessidade de termos um ambiente virtual onde os produtores pudessem ser expostos para o “mundo” com seus cafés diferenciados, e que pudessem ser bem remunerados por este produto. A partir daí, começamos a imaginar uma ponte que unisse o produtor direto ao comprador. Os cafés especiais, além de possuírem um sensorial diferenciado, também carregam história, origem e muito amor envolvido na produção.

Como a empresa vem se desenvolvendo? E quais são os principais desafios de crescimento que você tem encontrado pela frente?

Nosso maior desafio de crescimento é a penetração em um mercado extremamente tradicional, que tem um modelo de comercialização que funciona há anos da mesma forma.

Como a tecnologia impacta no seu negócio? E como vocês conseguiram unir o mundo do café ao mundo da tecnologia digital para emplacar a Agrorigem?

A tecnologia facilita a exposição e a operacionalização da venda dos cafés especiais para qualquer lugar do mundo. Além disso, sabemos que o nicho dos cafés especiais existe e estamos emplacando na nova onda de consumo consciente e da necessidade de rastreabilidade de alimentos. A tecnologia nos ajuda a levar ao mundo todo café de origem, de qualidade e com rastreabilidade.

Na sua opinião, como o fato de estar em Santa Rita do Sapucaí (MG), cidade conhecida como criativa e inovadora, tem ajudado no desenvolvimento da empresa?

Estar em Santa Rita do Sapucaí é uma alegria para mim. Sou nativa da cidade, família de mãe e de pai também são nascidos aqui. Me sinto em casa, literalmente, tanto no Inatel como nos eventos que temos aqui em Santa Rita, e me sinto super orgulhosa e feliz pela cidade ser conhecida como uma criativa e inovadora. Me sinto parte disso tudo – da união atual da tecnologia com o café também.

Temos uma grande visibilidade por estarmos em Santa Rita e, principalmente, no Inatel. Estamos em um ambiente de extremo conhecimento e altamente empreendedor, onde todos buscam se ajudar.

Existe um movimento de mulheres empreendedoras do café relativamente forte e bem organizado na cidade. Como anda o cenário do café em Santa Rita do Sapucaí? E como funciona esse movimento de mulheres empreendedoras?

Somos um grupo de mulheres empreendedoras de várias partes da cadeia do café. Entre nós, temos produtoras, na maioria, além de empresárias de rede de cafeteria, exportadoras, empreendedoras focadas na comercialização e produtoras especializadas em agro turismo.

A gente se organiza para participar de feiras e eventos fora de Santa Rita, se apoia quanto aos cursos de capacitação, e nos inspiramos no sucesso de cada uma do grupo. Assim seguimos com a ideia de colaborarmos umas com as outras, com amor e entusiasmo.

Nosso grupo é responsável por um evento bianual que teve sua primeira edição em 2019. É o “Encontro Mulheres Empreendedoras do Café de Santa Rita do Sapucaí”, que foi  um sucesso. Reunimos mais de 700 pessoas do mundo do café no Teatro do Inatel para aprenderem mais e mais com mulheres que estão despontando no cenário do café no Brasil. Para o ano de 2021 temos ótimas expectativas. Será nossa 2ª Edição.

Estamos passando por um período complicado com a pandemia do Covid-19. Como isso tem impactado no seu negócio? E o que vocês tem feito para superar tudo isso?

Com a pandemia do Covid-19, nossos clientes menores, as cafeterias que torram café especial, ficaram um período maior fechados e só agora estão voltando aos poucos e retomando a compra de cafés. Esse fato diminuiu a recorrência de vendas, o que nos levou a desenvolver uma nova forma de chegar aos compradores de cafés especiais cru. Pelo Agrorigem-In-Box, que recém lançamos, conseguimos atender B2C e no volume que o cliente quiser. Dessa maneira, podemos também atender o público que gosta de adquirir diferentes perfis de café em menor volume.

Conte-nos mais sobre o Agrorigem-in-box e sobre como funciona essa nova frente.

A Agrorigem-in-box surgiu da demanda por cafés cru em menor volume, principalmente por “coffeelovers” que torram cafés em casa e nos pediam para fracionarmos as sacas para eles terem opções de cafés de origem e de qualidade.

Agora conseguimos atender o consumidor final de uma forma que podem escolher o café especial em grão torrado ou torrado e moído de acordo com sua necessidade. Para começar, selecionamos três microlotes de perfis diferentes: Cacau, Frutado e Exótico para montar a box e nossos clientes escolhem o volume conforme seu consumo, em três opções: #2Enjoy – 3 pacotes 250g cada; #4Family – 3 pacotes de 500g cada ; #4Share – 3 pacotes de 1kg cada

Pensamos numa forma de levar diferentes sabores e aromas diferenciados a nossos clientes, por isso o trio escolhido é de sensorial diferente. A ideia é que continuem curtindo café especial em casa também. Pelo nosso e-commerce conseguimos proporcionar fácil acesso e sermos mais ágeis nas vendas, cobrindo um número maior de cidades no Brasil.

Como vocês encontram e escolhem os cafés que vão comercializar na Agrorigem?

Temos um contrato profundo com cada produtor que quer trabalhar com a Agrorigem. Dentro de toda sua safra, uma porcentagem, em torno de 20% é de produção de café especial, e esses lotes devem obter mais de 82pts (SCAA) e estar preparado 16Up, NY 2/3 para já estar disponível para venda e logística. Temos também um contrato com cada lote, pois volumes e valores variam conforme a qualidade de cada lote de café.

Vocês tem um design muito legal, tanto na logo, na identidade visual da empresa, como também nas embalagens. Na sua opinião, qual a importância do design nesse mundo do café?

Com toda a competição que existe nesse mercado, os detalhes fazem toda diferença. O design consegue nos ajudar a diferenciar nesse mundo do café. É um recurso essencial para nos posicionarmos e nos conectarmos emocionalmente com as pessoas.

O que podemos esperar para o futuro? Quais são os planos que você já pode contar?

Temos planos de crescer. Estamos em um projeto da APEX chamado PEIEX, em que estamos trabalhando muito para a internacionalização da plataforma Agrorigem – The Coffee ID. Além disso, estamos “namorando” um possível investidor e uma forte parceria com a FAEMG. Também estamos desenvolvendo um app para venda de cafés commodities, o Agrorigem – The Coffee Market, que é um projeto enorme.

Pra finalizar, que aprendizados você teve até o momento e que daria de conselho a quem está entrando agora no ramo do café?

Aprendi que a resiliência é fundamental. Aprendi que quem empreende deve ter planos A, B e até C para continuar fazendo a roda girar, principalmente em situações como as que estamos vivendo agora com a pandemia mundial.

Aprendi que colaborar é uma via de mão dupla que nos impulsiona na vida. Aprendi que gentileza, transparência e verdade devem sempre estar presentes em nossas rotinas diárias de trabalho.

O mundo do café especial é apaixonante. Existe muito carinho e dedicação em cada parte da cadeia. É um ambiente de conexões e amizades deliciosas. Existem várias oportunidades para os que buscam trabalho sério com comprometimento e transparência, principalmente quanto a inovação e tecnologia aplicadas ao agro nas fazendas.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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