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HackTalks 2020

“É importante que o lado da tecnologia não seja a única resposta.”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 5min de leitura

Tivemos um papo rápido com Christer Windeløv-Lidzélius, CEO da KaosPilot, uma das principais escolas de inovação do mundo, sobre liderança em tempos de Covid. Vale conferir.

A crescente pandemia do COVID requer uma mentalidade organizacional e de liderança capaz de lidar com a complexidade. Como os líderes podem liderar em meio a esse caos?

Essa é uma ótima pergunta. A natureza da complexidade sugere que não há um caminho único, mas muitos. De fato, muitas vezes só conseguimos avaliar qual foi o caminho mais eficaz a seguir depois de uma clara luz retrospectiva. Obviamente, é preciso manter contato com a realidade atual, mas com uma atitude positiva e otimismo para o futuro. Ninguém quer ser liderado por desgraça e melancolia. Podemos suportar e ter esperança de que isso vai passar, de que as coisas serão melhores, e eu, como líder, mostrarei o caminho.

Diante disso, sugiro aos líderes os seguintes pontos:

– Conheça muito bem a sua organização e seus pontos fortes e fracos.

– Sempre tenha tempo e dinheiro. Obviamente, isso é uma mentalidade, mas, em grande parte, é geralmente sobre prioridades. Você tem a responsabilidade. Você tem o direito de fazê-la como gestor. Mas tenha claro de que ninguém quer seguir alguém que nunca tenha tempo ou recursos disponíveis.

– Concentre-se em testes, sondagens e aprendizado. Um erro ou uma falha também podem ser vistos como aprendizado sobre o que não funciona.

– Não deixe suas suposições atrapalharem as realidades que estão batendo à sua porta

Como líderes e organizações podem se tornar “mais humanos” em um ambiente de trabalho remoto? E como manter o potencial da criatividade e inovação fluindo nesse caos?

É importante que o lado da tecnologia não seja a única resposta. E lembre-se: há muito mais além do Zoom, Skype, Hangout, etc. Falo isso pois tenho uma boa experiência em garantir rotinas como, por exemplo, reuniões de alinhamento de informações (lembre-se: nenhuma novidade também é uma novidade). No modo remoto, o trabalho pode ser muito individual e solitário. Para isso, eu incentivaria o uso de tecnologia que permita a colaboração para garantir o fluxo de informações, apoio, aceitação e sintonia com a estratégia e com a realidade atual. Rotinas como o “happy hour de sexta-feira”, o compartilhamento de histórias pessoais, a facilitação de conversas sobre questões que nos preocupam durante nosso isolamento, etc, nos ajudam a gerar um senso de conexão e união.

O ser humano é um ser relacional. A criatividade e a inovação vêm da necessidade, da oportunidade e da vontade. Nos tempos atuais, os líderes precisam construir novas “velas” que estejam prontas para quando a “maré” e o “vento” mudarem.

Quais são as qualidades essenciais que definem um grande líder? E o que mudou nesse aspecto durante o surto de coronavírus?

No geral, não acho que as qualidades essenciais de um líder tenham mudado. Eu acho que grandes líderes têm as qualidades necessárias também para momentos como esses. Dependendo do nível de caos e complexidade em que uma organização pode se encontrar, é possível que certas qualidades estejam mais presentes do que antes. Um grande líder é eficaz em realizar o trabalho – o que inclui pensar além, ser ousadamente pragmático, cuidar de pessoas e desenvolver pessoas, redes e capacidades, e garantir o empoderamento da organização.

O que mudou? Talvez a necessidade de estar mais presente, inclusivo e transparente. Não tem como um líder saber tudo. As pessoas entendem isso e acompanham a incerteza. Eles esperam honestidade. Eu também acredito que o Corona apontou para a necessidade de construir uma organização flexível, uma tolerância a turbulências e mudanças.

Como desenvolver essas qualidades?

Começa com enxergar a necessidade, com realmente ver isso. Então entenda o que essas qualidades exigem. Como líder, acho que o melhor que podemos fazer é conversar com as pessoas, fazer coisas e aceitar que não somos perfeitos. Adotar uma atitude de constante aprendizado é, ao meu ver, a melhor estratégia pessoal para qualquer líder. Todos os líderes devem ler mais, pensar mais no mundo e se importar mais. Se adotarmos uma postura de ajuda  empatia com clientes e funcionários, o ganho já será enorme.

Qual é a questão mais crítica que as empresas enfrentam nesse momento de preparação para o futuro pós-Covid?

Isso varia bastante. Depende do país, do segmento e do tamanho. Ao meu ver, deve existir um aprendizado para uma nova crise ainda não identificada que está por vir. Basta colocar a resiliência nos trilhos. Além disso, o mundo está diferente e ainda não vimos todos os efeitos pós-pandemia. Precisamos colocar a crise em perspectiva para entender e aprender com ela. Não digo de um parecer cínico, mas de não desperdiçá-la. Muita coisa pode mudar. Espero que mude para algo para melhor, pelo menos no longo prazo.

Na mesma linha, o que um indivíduo pode fazer hoje para se preparar para o trabalho de amanhã?

Continue a aprender, sempre. Todos nós precisamos permanecer relevantes e, idealmente, um tanto únicos. Infelizmente, acho que para muitas pessoas, a adaptação a novas realidades pode exigir ainda mais esforço.

Ao longo da sua carreira, quais foram as lições que você aprendeu e que podem nos ajudar a encontrar um caminho nesse período de crise?

A lista de lições é muito longa, mas vou falar de alguns:

– Tente mais. Pode parecer um clichê, mas acho que há muito nisso. Prefiro pensar em mim como sempre capaz de melhorar e crescer.

– Seja empático. Minha experiência não é a sua. Minha opinião sobre as coisas não é a sua. Eu não andei 40 milhas nos seus sapatos.

– Seja útil. Como líder, não tenho todas as respostas. Ajudar minha equipe e meus clientes a enfrentar mudanças e resolver problemas significa ajuda a todos nós.

– Acredite no sucesso.

Você é atualmente CEO e diretor da KaosPilot. Conte-nos sobre sua empresa e os serviços que oferece.

Somos efetivamente uma escola e uma empresa. Nosso foco é desenvolver líderes e empreendedores, liderança e empreendedorismo. Oferecemos uma variedade de programas para isso. Também estamos iniciando em breve um programa em São Paulo, pelo qual esperamos muito. É sobre inovação e complexidade.

Na prática, trabalhamos com pessoas e organizações da Austrália ao Japão, do Canadá ao Chile, e isso é muito gratificante, de várias formas.

Além disso, temos um espaço de projetos (co-working / incubadora), uma consultoria e conduzimos uma série de experiências sociais e culturais.

O que nos diferencia é, de certa forma, nossa experiência em projetar para “aprender fazendo” e facilitar o “espaço reflexivo”. O que oferecemos é um espaço criativo e colaborativo.

Para finalizar, qual é o seu melhor conselho para as empresas que estão iniciando no mercado?

As pessoas, sempre em primeiro lugar. Você está sempre no negócio de pessoas.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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2 Comentarios

  1. Pablo Funchal

    14 de julho de 2020 at 09:55

    Muito legal a entrevista, a Kaospilot é realmente uma referência de aprendizagem e inovação no mundo!

    Responder
  2. curso de mosaico

    8 de setembro de 2020 at 21:00

    Sou a Bruna de Souza, e quero parabenizar você pelo seu artigo escrito, muito bom vou acompanhar o seus artigos.

    Responder

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