HackTalks | Blog de Ideias e Conexões de Impacto | por HackTown
HackTalks 2020

Internet do futuro começa a ganhar forma em Santa Rita do Sapucaí

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 4min de leitura

6G, internet por luz, e uma nova arquitetura para a rede mundial de computadores já são realidade no “Vale do Silício” do Brasil. Confira.


Prédio central do INATEL, em Santa Rita do Sapucaí

Algumas das principais inovações tecnológicas não só do Brasil, mas do mundo, saem de Santa Rita do Sapucaí, MG, cidade de 40 mil habitantes no sul de Minas Gerais apelidada de o “Vale do Silício” do Brasil, onde também acontece o HackTown, principal festival de inovação e criatividade da América Latina.

Muitos desses desenvolvimentos e experimentos vem, mais precisamente, do INATEL (Instituto Nacional de Telecomunicações), um dos principais institutos de tecnologia e engenharia do planeta. Entre os campos de inovação da cidade, um vem se destacando no momento: a evolução da internet

Conheça três avanços anunciados recentemente pelo INATEL, e que farão toda a diferença em um futuro próximo:

Internet de alta velocidade por luz

O INATEL anunciou esta semana resultados impressionantes de testes com internet por VLC (Visible Light Communication), termo técnico que, na prática, denomina a utilização de luz para transmitir dados em alta velocidade. Pesquisadores da instituição conseguiram transmissões desta forma, utilizando o 5G, com velocidade de até 20 Gbps para o usuário final.

As pesquisas não param por aí. Já visando as futuras redes de sexta geração, o 6G, previsto para 2030, a estimativa de velocidade por este meio é de 1 Tbps, milhares de vezes mais que a vazão atual de dados para o usuário.

Além da velocidade, a utilização de luz de LED para transmissão de dados traz mais segurança em relação a invasões, gasta menos energia e pode ser utilizada em ambientes restritivos à transmissão por radiofrequência, como aeronaves e hospitais.

A sexta geração da internet: o 6G

Se o 5G permite que o mundo entre definitivamente na era da “internet das coisas”, o 6G pode romper a barreira da biologia e levar a humanidade para um novo patamar de conexão entre as coisas, as pessoas e a natureza, a chamada era da hiperconectividade através de nanobiossensores.

Pode parecer cedo para falar de tudo isso, já que mundo afora ainda se fala na implementação do 5G. No entanto, historicamente, as gerações de comunicação móvel surgem de 10 em 10 anos e, se o 5G está sendo implantado em níveis mundiais em 2020, o 6G está previsto para 2030. É um processo longo, já que é necessário muito tempo para que a tecnologia e as funcionalidades sejam desenvolvidas, testadas, ajustadas às necessidades e realidades de cada lugar. 

A ideia do INATEL ao se adiantar a tudo isso e anunciar o início do desenvolvimento do 6G no Brasil é colocar o país, pela primeira vez, em condições de não ser um mero consumidor da tecnologia de comunicação móvel mas, sim, de ter protagonismo em um salto tecnológico sem precedentes e fazer do País um provedor e exportador de tecnologia de ponta.

NovaGenesis

Na época em que a internet foi concebida, não havia tanta preocupação com segurança, os equipamentos que existiam tinham memórias precárias e tudo que foi se desenvolvendo a partir dali foi se anexando a essa estrutura. Diante disso, o projeto NovaGenesis, que vem sendo desenvolvido há mais de 10 anos dentro do INATEL em parceria com universidades da Coréia do Sul, não trata apenas de tecnologia, mas de uma nova arquitetura para a internet. 

O trabalho, longo e árduo, vem sendo o de reprojetar toda a internet para que esta nova rede possa ser segura desde o início, adicionando novos mecanismos neste processo. Obviamente, a internet não será toda “zerada” e começada de novo, mas o trabalho conceitual e de pesquisa do NovaGenesis já tem gerado inúmeras inovações que vem sendo adotadas no modelo atual. 

Os maiores ganhos do projeto estão ligados a uma maior proteção ao usuário, garantindo principalmente mais segurança às questões de espionagem, roubo de dados e responsabilidade de uso. A proposta mais ousada, aliás, é a de um identificador único de usuários, como se fosse uma identidade global para cada pessoa no ambiente digital.

Ao contrário do que acontece hoje, quando cada computador possui um IP e é esta a forma de identificação na rede, no NovaGenesis a identificação é de cada pessoa, de forma específica. Ou seja, cada usuário teria a sua identidade própria, como já acontece no ambiente offline, em que temos RG, passaporte, etc.

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

Mais Posts

12 Comentarios

  1. Auro José de Oliveira

    31 de julho de 2020 at 22:52

    O futuro na velocidade da luz.

    Responder
  2. José Carlos Ferraz de Azevedo

    1 de agosto de 2020 at 06:57

    Espero que esse projeto não tenha que ser desenvolvido em outro país. Que tenha os incentivos necessários para alçar Santa Rita e o Brasil, para um futuro de excelência tecnológica.

    Responder
  3. Sergio Antônio Pivetta

    1 de agosto de 2020 at 09:59

    Parabéns, pelo estudo e pela ousadia. Desejo sucesso, está na hora do Brasil ocupar o lugar de destaque que merece.

    Responder
  4. Marcio Destefani.

    1 de agosto de 2020 at 12:41

    Realmente algo muito inovador, com a capacidade de colocar o Brasil na vanguarda da corrida das novas gerações da internet.

    Responder
  5. Wantuildes ortiz

    1 de agosto de 2020 at 17:23

    Parabéns pelo estudo eu acho que o Brasil tem potencial para pesquisa com bons laboratórios e pesquisadores

    Responder
  6. Joaquim

    2 de agosto de 2020 at 15:38

    Parece um sonho, mais torço que se realize e o Brasil rompa essa barreira de so produzir matéria prima!

    Responder
  7. Moledon

    2 de agosto de 2020 at 18:50

    nossos profissionais geotecnologias são os melhores do mundo, falta incentivo e desburocratização por parte das autoridades, hoje existem os investidores anjos que apostam nessa nossa juventude…

    Responder
  8. José Carlos Ferraz de Azevedo

    2 de agosto de 2020 at 21:00

    Já tem empresa participante do projeto, com capital aberto e ações em bolsa de valores?

    Responder
  9. Zanegrey

    3 de agosto de 2020 at 06:22

    Torço para que possamos dar esse importante passo e que possamos contribuir para um avanço tão importante. Parabéns!!!

    Responder
  10. Luiz Cezar gheno

    3 de agosto de 2020 at 11:56

    Parabéns pelos estudos
    Tenho grande interesse por essa tecnologia

    Responder
  11. Soelson B. Araujo

    3 de agosto de 2020 at 22:51

    Extraordinário!
    Poucos sabem que o Brasil manteve, por muitos anos, reserva na tecnológica da informção e desenvolveu muito neste segmento, inclusive na frente dos USA. Portanto, é uma excelente notícia.

    Responder
  12. Valdeni pereira Gomes

    6 de agosto de 2020 at 23:33

    Parabéns à todos vocês! Grandes profissionais.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Orgulhosamente Desenvolvido por Trackdev