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HackTalks 2020

“O mais incrível do pensamento estratégico é que ele não é limitado a uma área, a uma atuação”

Carlos Henrique Vilela
Carlos Henrique Vilela 6min de leitura

Entrevistamos Nathalia Andrijic, estrategista, atualmente no Waze (Google) e cocriadora do projeto SelfStrategy, sobre como o pensamento estratégico pode ajudar a resolver problemas de todo tipo. Vale conferir.

Conte-nos um pouco sobre você e sobre a sua carreira.

Prazer! Nathalia Andrijic, paulistana, apaixonada por bons docinhos, praia, Yoga (agora online com o @ze.yoga no Instagram, meu professor querido), estudante de Alemão e aprendiz incansável. 

Em relação a minha carreira, fiz Graduação e Pós-Graduação em Comunicação, na USP. Sempre trabalhei com Estratégia, e hoje sou Estrategista Sênior e Designer de Serviço, bastante envolvida com Tecnologia, Inovação, Impacto social. Estou no Google, no time de Waze, sempre investigando, tendo contato com comportamento, negócios e resolvendo problemas. Adoro resolver problemas!

Além disso, trabalho, também com Educação, coordeno cursos na Miami Ad School Brasil, que é uma escola de Criatividade e Estratégia, um lugar que eu gosto de ter bastante contato e troca com as turmas, ajudar as pessoas a crescerem. E tenho o SelfStrategy, um projeto paralelo. Por fim, estou sempre envolvida em projetos voluntários, ajudando mulheres a enxergarem seu potencial e desenvolverem suas carreiras. Basicamente, gosto de ajudar as pessoas a tirarem seus projetos do papel. Se há algo que precisa ser transformado, conte comigo.

Fui nos últimos 3 anos ao HackTown, em Santa Rita do Sapucaí, e é de longe um dos meus eventos favoritos (e olha que sou a doida dos eventos!). Triste que não teremos o evento presencial esse ano, mas feliz pela possibilidade de troca pelos conteúdos!

O que é o pensamento estratégico? O que é pensar estrategicamente?

Gosto uma definição muito simples: Estratégia é o caminho para ir do ponto A ao B. O que está acontecendo hoje que precisa ser resolvido / transformado (A)? Onde queremos chegar (B)? Pensar estrategicamente é desenvolver esse caminho, fazendo escolhas, direcionando e recalculando a rota sempre que for preciso, como dizemos no Waze.

Com base nos resultados dos cursos e workshops que você dá, quais são os exemplos mais interessantes, em projetos e negócios distintos, que ilustram o impacto dessa forma de pensar?

O mais incrível do pensamento estratégico é que ele não é limitado a uma área, a uma atuação, pode ser aplicado em diversos tipos de desafios para resolução de problemas. 

Nos workshops, já tivemos grupos discutindo estrategicamente reposicionamento de carreira de uma senhora que queria seguir para as Artes, reposicionamento de um restaurante local, desafios de crise de imagem de uma marca que tava na pior, RH precisando engajar o time e assim vai. É muito rico ver que, ao se aprofundar no público e no problema que precisa ser resolvido, os horizontes se expandem e algo mais profundo emerge como resolução. 

Ao seu ver, quais são as habilidades necessárias para desenvolver o pensamento estratégico? E quais são as suas dicas para quem quer começar a desenvolvê-las?

Mais do que falar de habilidades muito técnicas, prefiro falar de forma mais abrangente. A primeira grande habilidade do pensamento estratégico é a curiosidade. Tudo começa com boas perguntas, questionamentos, meio Globo Repórter, pra encontrar o que está por trás do que estamos investigando. Visão analítica é outra, junto com a visão sensível, para tanto olhar de forma crítica, racional, Sherlock Holmes, como de forma humana, emocional.

Pra quem está começando, recomendo escolher algo que queira resolver e traçar um plano pra isso, com investigação de várias formas, pra explorar e encontrar caminhos de resolução. Pode ser melhorar um conteúdo em redes sociais, ajudar um pequeno negócio e até traçar uma estratégia pra trabalhar melhor, criar novas rotinas etc. Tendo um problema pra resolver, está aí um começo. Sempre indico falar com pessoas que você admira estrategicamente também, pra pegar referências. 

Estamos vivendo um momento desafiador, com a pandemia do covid-19. Como o pensamento estratégico pode ajudar tanto empresas como profissionais a lidarem com os desafios e os momentos de incerteza que estamos vivendo?

Estratégia serve para resolver problemas, de pessoas e empresas. Um cenário como esse traz à tona uma série de problemas enormes, novas questões. É daí que partimos. Do cenário, do problema, levando em conta não uma realidade individual, mas olhando para o cenário do país, a crise sanitária, política, social, econômica e emocional. É complexo? Bastante, mas é preciso levar em conta. 

Com isso em vista, pesquisa, muita pesquisa, nos números, tendências e também com as pessoas, nas suas realidades. Como estão passando por isso, quais velhas e novas necessidades surgem? As empresas e marcas precisam se conectar mais do que nunca a essas necessidades. O nosso (des)governo não tá resolvendo nada, pessoas jurídicas e físicas precisam fazer o que estiver ao seu alcance pra resolver o que puderem. As que conseguirem propor soluções reais vão sair muito na frente na relação com as pessoas. 

Não dá pra ficar só na teoria, é preciso ações concretas, ajudar com informação de credibilidade, ofertas para os bolsos apertados, mais representatividade, impacto social.

Aliás, como pensar estrategicamente quando o futuro próximo é muito difícil de se prever, como neste momento atual?

Pensar estrategicamente é sobre fazer escolhas, tomar uma direção, fazer o melhor por ela e analisar os impactos. Quando uma Estratégia vai pra rua é que ela ganha vida e passamos a receber as percepções das pessoas, então monitorar isso é o que faz seguir nesse caminho ou mudar de direção. 

O pensamento estratégico ganha força em momentos complexos, porque é com ele que se ganha profundidade de análise e uma visão abrangente pra tomada de decisão. Com o caminho definido, dá pra testar, colocar na rua de forma pequena e evoluir conforme as respostas e o cenário, menos com projeções muito idealizadas distantes e mais com testes reais nesse momento, estando sempre com atenção para mudar de rota se for preciso.

Você tem um background em estratégia em agências de comunicação, consultoria de design e inovação, e hoje está em uma startup consolidada e coordenando cursos na área. O que a estratégia e o seu papel de estrategista tem em comum, e ao mesmo tempo, de diferente, em cada um desses contextos?

Curioso pensar sobre isso! As bases são as mesmas, o que mencionei a respeito do pensamento crítico, investigação, visão de comportamento e negócios, resolução de problemas e criatividade, além de algumas atividades como pesquisa, construção de narrativas, apresentação e moderação / facilitação de grupos. A diferença está na natureza do negócio e o objetivo final. 

Comecei na comunicação, caminhei para produto digital e design de serviço e hoje estou mais no business no Google. Na Miami Ad School, criar os cursos e coordenar nossas atividades acadêmicas também é Estratégia, mas o produto final é conteúdo, dinâmicas, trocas e a evolução de cada pessoa que está com a gente.  

Você lidera um projeto chamado SelfStrategy, que ajuda não-estrategistas a desenvolver o pensamento estratégico. Conte-nos um pouco sobre a iniciativa e sobre como ela surgiu.

O SelfStrategy é um projeto pessoal que tenho junto com o Felipe Gavronski, daqueles que a gente realmente faz no tempo extra, por paixão. Surgiu de uma inquietação nossa em comum quando trabalhamos junto, vendo muita gente entrando, querendo entrar ou evoluir na área de Estratégia mas sem um caminho muito claro, com muitas perguntas e poucas respostas. 

O SelfStrategy nasceu para ajudar cada estrategista a ter mais consciência de seu plano e poder traçar seu melhor caminho, para despertar o lado estrategista de cada pessoa. Começou pequeno, claro, e foi crescendo com carinho, contatos e gente que acreditou no potencial. A gente dá workshops e mentorias, levando a palavra da Estratégia pelo Brasil. 

Um aprendizado enorme gerir um projeto próprio e conhecer tanta gente legal no caminho. Pra quem tiver uma ideia que queira colocar no mundo, por favor, só vai, vale a pena.

O que cada um desses mundos (agências, design e startups) poderiam aprender uns com os outros, ao seu ver?

O mundo das agências tem uma explosão de criatividade que só se encontra lá. O mundo do design tem os melhores processos e tudo muito colaborativo. O mundo das startups tem o poder de transformação. Cada espaço com suas características e muito aprendizado que pode acontecer com trocas.

Você também fala muito sobre tirar os projetos do papel. Quais são os maiores desafios que as pessoas encontram nesse sentido? E que dicas você poderia dar a quem deseja tirar seus projetos do papel?

O passo mais difícil é o primeiro. Clichê, né? Mas verdade. Tem que começar, na minha visão, não no sentido de se jogar totalmente, mas estruturar e começar pequeno pra aprender e evoluir. É assim com vários tipos de planos, os de mudança de hábito, de coisas novas pra estudar, até grandes mudanças de carreira. 

É bom primeiro colocar no papel, entender o que precisa ser feito, quais os passos, ter um plano. Mas assim que ele é colocado no papel, precisa sair dele. São dois processos que caminham juntos. 

O mundo, o Brasil, nosso lugar, nossa comunidade, nossa vida, tá tudo precisando de transformação. Com o que tivermos nas mãos, nossos talentos, nossa vontade, é preciso começar, fazer, colocar na rua, deixar nossas ideias verem a luz do dia e conquistarem seu espaço. Todo mundo é uma semente de transformação se quiser ser. 

Carlos Henrique Vilela

Cofundador, Head de Curadoria do HackTown / Head de Marketing e Inovação na Leucotron / Head de conteúdo do HackTalks

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1 Comentario

  1. Maurício Leonel Galdino

    26 de agosto de 2020 at 12:06

    Conheci a Nathalia no Hack Town de 2019 e aprendi muito, como nesta entrevista. Show

    Responder

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